BRASÍLIA — O Corinthians avalia entregar à Caixa Econômica Federal os naming rights da Neo Química Arena como parte da negociação para reorganizar a dívida do estádio. Atualmente, os direitos estão vinculados à Hypera Pharma. O estudo interno considera que a exploração comercial da Arena pode alcançar aproximadamente R$ 300 milhões anuais, com base nos números de 2025.
Representantes do clube participaram nesta semana de reuniões com dirigentes da Caixa, em Brasília. As tratativas são conduzidas pelo presidente Osmar Stabile e pelo diretor jurídico Pedro Soares. O débito ligado ao financiamento está em R$ 642 milhões, e uma das alternativas em análise é a revisão das condições do contrato.
O Corinthians também tenta avançar sobre os valores mantidos em uma conta vinculada ao acordo. Pela estrutura vigente, a Caixa pode direcionar parte das receitas do clube para uma reserva destinada a cobrir eventuais atrasos. O mecanismo pode atingir metade de determinadas premiações e outros recursos recebidos pelo Corinthians. Cerca de R$ 27 milhões estão nessa conta, enquanto aproximadamente R$ 50 milhões foram destinados ao banco em 2026 dentro desse modelo.
Situação financeira
As negociações ocorrem enquanto o clube enfrenta pagamentos pendentes. Uma parcela dos direitos de imagem venceu no último domingo e não foi quitada, deixando dois pagamentos dessa natureza em aberto. Compromissos relativos a premiações e férias também permanecem pendentes.
O Corinthians registrou déficit de R$ 246,039 milhões no primeiro semestre de 2026, acima dos R$ 168,048 milhões acumulados até abril. O endividamento total está próximo de R$ 2,8 bilhões.
O orçamento previa R$ 144 milhões líquidos com vendas de atletas ao longo da temporada, sendo aproximadamente R$ 74,9 milhões esperados no primeiro semestre. A estimativa para o déficit dos seis primeiros meses era de R$ 138 milhões. A falta das receitas projetadas com transferências contribuiu para ampliar a diferença em relação ao planejamento.
As reuniões com a Caixa não incluem o estudo apresentado pelo perito criminal Anísio Costa Castelo Branco. O material levou à abertura de um procedimento pelo Ministério Público de São Paulo para analisar possíveis inconsistências em pagamentos feitos pelo Corinthians ao banco. Internamente, o clube considera que o levantamento não refletiria integralmente o contrato vigente.



