Porto Alegre, Domingo, 11 de outubro de 2026
Esportes

Pioneiras desafiaram regras para ocupar espaços no esporte

Rena Kanokogi, Anita Carmona, Bobbi Gibb e Wilhelmena Smith enfrentaram proibições e preconceitos para competir.

Pioneiras desafiaram regras para ocupar espaços no esporte

Durante décadas, mulheres foram impedidas de disputar modalidades esportivas por regras, preconceitos e leis que associavam força, resistência e competitividade aos homens. Algumas encontraram maneiras de competir escondendo a identidade feminina ou recusando-se a aceitar as restrições.

Rena “Rusty” Kanokogi treinava judô nos Estados Unidos e queria participar de competições. Em 1959, no campeonato da YMCA, em Utica, Nova York, cortou o cabelo e prendeu os seios para competir como homem. Depois que os organizadores descobriram sua identidade, retiraram sua medalha. Em 1980, ela organizou o primeiro Campeonato Mundial feminino de judô, em Nova York, e recebeu a medalha de volta em 2009.

Na Espanha, Anita Carmona Ruiz jogou futebol em uma época de forte resistência à presença feminina nos campos. Nascida em Málaga, em 1908, cortava o cabelo, escondia os seios e usava roupas para passar por jogador. Atuou por equipes masculinas, foi conhecida como “Nita” e “Veleta”, e acabou perseguida, punida e impedida de voltar aos campos.

Corrida e turfe

Em 1966, Roberta “Bobbi” Gibb entrou no percurso da Maratona de Boston depois da largada, porque a organização não permitia a participação feminina. A Boston Athletic Association a reconhece como a primeira mulher a correr a prova. Gibb completou os 42,195 km em 3h21min40s e terminou em 126º lugar no geral. Ela voltou a correr em Boston em 1967 e 1968.

No ano seguinte à estreia de Gibb, Kathrine Switzer conseguiu uma inscrição oficial usando as iniciais “K. V.” no formulário. A BAA registra que ela correu em 1967 com o número 261.

Wilhelmena “Bill” Smith tornou-se uma jockey de sucesso no norte de Queensland, na Austrália, no início do século XX. O Australian Women’s Register informa que ela nasceu em 1886, competiu como jockey e só teve sua identidade como mulher descoberta depois da morte, em 1975. A organização a reconhece como a primeira jockey mulher da Austrália.

A proibição no Brasil

No Brasil, o Decreto-Lei nº 3.199 foi publicado em 14 de abril de 1941. A norma criou o Conselho Nacional de Desportos e estabeleceu: “Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza.”

Em 1965, a Deliberação nº 7 proibiu para mulheres lutas de qualquer natureza, futebol, futebol de salão, futebol de praia, polo aquático, polo, rúgbi, halterofilismo e beisebol.

Mesmo com a restrição, mulheres continuaram jogando em partidas informais, como jogos de várzea e de rua. A proibição ao futebol feminino foi revogada pelo Conselho Nacional de Desportos em dezembro de 1979. A regulamentação efetiva veio em 1983.

As histórias dessas quatro atletas mostram caminhos diferentes para enfrentar a mesma ideia: a de que o esporte pertencia aos homens. Kanokogi escondeu o corpo para lutar; Carmona usou uma identidade masculina para jogar; Gibb correu sem inscrição oficial; e Smith construiu uma carreira sob o nome “Bill”.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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