SÃO PAULO — A inclusão de aulas de wrestling em academias de jiu-jítsu busca desenvolver uma das áreas decisivas do combate: a luta em pé. Na Vila Medeiros, na zona norte de São Paulo, o campeão mundial e competidor da categoria Master Juliano Marinangelo, conhecido como Juliano “Alicate”, incorporou treinamentos específicos à grade de sua academia.
Juliano pratica wrestling desde 2018 e cita o professor Edson Kudo como uma figura importante em seu aprendizado. Para ele, os exercícios podem ajudar tanto iniciantes quanto atletas experientes, inclusive aqueles que não planejam competir no MMA.
Quedas e controle
O wrestling esportivo não utiliza socos ou chutes. A modalidade trabalha força, técnica, controle corporal e estratégia por meio de quedas, projeções e domínio do adversário. A vitória pode ocorrer quando os dois ombros do oponente são colocados no chão ou pela pontuação.
No jiu-jítsu, além do controle da posição, o atleta também busca finalizações com chaves articulares e estrangulamentos. As diferenças não impedem que os esportes sejam combinados. No MMA, essa integração aparece no estilo de Khabib Nurmagomedov, que começou no wrestling ainda criança e encerrou a carreira invicto, com 29 vitórias.
No treino aplicado ao jiu-jítsu, o wrestling ajuda a identificar o momento de buscar uma queda e a evitar que o adversário derrube. A modalidade também pode influenciar o ponto de partida da luta no solo: quem prefere passar a guarda pode começar por cima, enquanto quem joga por baixo ganha recursos para defender quedas e responder aos movimentos do oponente.
Transições e No-Gi
Os fundamentos também são úteis nos “scrambles”, transições rápidas em que os atletas disputam uma posição. Equilíbrio, explosão, consciência corporal e capacidade de evitar ficar de costas no chão entram nessas situações.
A relação é ainda mais direta no jiu-jítsu No-Gi, praticado sem kimono. Sem o tecido para formar pegadas, o controle depende de partes do corpo como punhos, braços, cabeça, pescoço e quadris.
O wrestling olímpico mantém regras e objetivos próprios. Por isso, quando suas técnicas são levadas ao jiu-jítsu, precisam ser adaptadas às características da modalidade. A proposta não é substituir o jiu-jítsu, mas aumentar o repertório para derrubar, defender quedas, controlar o adversário em pé e reagir durante as transições.
O wrestling tem registros entre os sumérios há cerca de 5 mil anos e representações no Antigo Egito. A modalidade entrou nos Jogos Olímpicos da Antiguidade em 708 a.C., enquanto a luta greco-romana esteve na primeira edição dos Jogos Olímpicos modernos, em 1896.



