A preparação de jogadores da NBA para a temporada passou a incluir, além de quadra, musculação e corridas, exercícios de mobilidade, respiração, yoga e Pilates. A proposta não é substituir o treinamento de basquete, mas ampliar o trabalho físico e ajudar o atleta a lidar com as exigências de uma temporada inteira.
Na pré-temporada de 2026, o Dallas Mavericks levou Cooper Flagg, Kyrie Irving e companheiros para uma sessão de yoga na praia. O Boston Celtics adotou uma sessão obrigatória de 15 minutos de yoga depois das viagens durante o training camp em Charleston. A atividade é conduzida pelo preparador físico Paul West e trabalha a mobilidade após os deslocamentos.
Mobilidade e controle corporal
O basquete exige aceleração, mudanças de direção e repetição desses movimentos ao longo das partidas. Por isso, força e resistência não são as únicas capacidades importantes. Mobilidade, coordenação, estabilidade e controle corporal também fazem parte da preparação.
A yoga pode trabalhar equilíbrio, mobilidade, estabilidade, controle corporal e respiração. Já o Pilates utiliza movimentos controlados e dá atenção à estabilidade e à musculatura do centro do corpo, incluindo músculos estabilizadores que podem receber menos atenção em uma sessão tradicional de musculação.
O ex-jogador J.J. Redick contou ao próprio site da liga que incluía Pilates e yoga entre suas formas preferidas de exercício fora do basquete. C.J. Miles também incorporou as duas práticas à preparação de offseason. Segundo o Indiana Pacers, o objetivo era ficar mais forte, flexível e leve.
Norman Powell relatou outra estratégia. Depois de algumas semanas de descanso no início da offseason, ele usava hot Pilates e yoga para voltar gradualmente a movimentar o corpo. Só depois aumentava o trabalho específico de basquete, como controle de bola e arremessos. A progressão seguia a sequência de recuperar, movimentar, fortalecer e retornar ao basquete.
Recuperação como parte do treino
A carreira de Stephen Curry ilustra a preocupação com o controle da carga. Aos 38 anos, o jogador dos Warriors passou a usar métodos de menor impacto, como a esteira subaquática, e reduziu o volume de determinadas atividades durante a offseason.
O preparador Brandon Payne descreveu uma rotina que alternava períodos de trabalho e descanso para manter Curry fresco e evitar excesso de carga. A lógica era trabalhar de forma mais inteligente, e não apenas aumentar a intensidade.
Uma sessão de mobilidade não aparece nas estatísticas, assim como um exercício de estabilidade ou uma aula de yoga não gera pontos. Ainda assim, essas atividades podem integrar a preparação para que o jogador chegue à quadra em melhores condições.
O Pilates também foi associado ao trabalho de recuperação de Théo Maledon. A equipe técnica destacava que ele fazia Pilates constantemente e usava bandas elásticas em sua rotina.
Práticas complementares
Yoga e Pilates não são apresentados como soluções universais. Cada atleta pode ter necessidades diferentes: melhorar a mobilidade, trabalhar a recuperação ou lidar com objetivos específicos após uma lesão. Mais flexibilidade, por si só, não significa desempenho melhor, já que o jogador também precisa de estabilidade e controle.
A offseason oferece mais espaço para testar modalidades, trabalhar limitações e experimentar novas formas de recuperação. A preparação moderna combina força, potência, resistência, técnica, mobilidade, sono, recuperação e controle de carga.
Na NBA, os exemplos de jogadores treinando em Paris, equipes fazendo yoga depois de viagens e atletas praticando yoga na praia mostram que parte do trabalho pode acontecer fora da quadra. Essas práticas complementam a musculação e o treinamento técnico, sem substituí-los.




