Porto Alegre, Domingo, 11 de outubro de 2026
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Piranhas sem valor comercial financiaram obras e museu no Marajó

Projeto do padre Giovanni Gallo transformou peixes descartados em renda para comunidades isoladas da Amazônia.

Piranhas sem valor comercial financiaram obras e museu no Marajó
Foto: Reprodução

Na década de 1970, o padre jesuíta italiano Giovanni Gallo encontrou uma maneira incomum de arrecadar recursos para comunidades isoladas do Pará: vender piranhas empalhadas na Europa. Cerca de 12 mil peixes foram aproveitados pelo projeto, que também criou trabalho para moradores da região.

As piranhas ficavam presas nas redes dos pescadores e tinham pouco valor comercial. Em vez de serem descartadas, eram recolhidas e preparadas em um laboratório instalado na Vila de Jenipapo. Gallo ensinou mulheres da comunidade a embalsamar os animais e usou contatos na Itália para comercializar as peças.

Renda para obras comunitárias

O dinheiro obtido com a atividade artesanal foi usado em obras de infraestrutura. A comunidade construiu cerca de 350 metros de pontes de madeira, um cemitério e uma pista de pouso de aproximadamente 800 metros, além de outras estruturas locais.

O projeto aproveitou um recurso abundante na região para gerar renda e financiar soluções para problemas do cotidiano, sem depender apenas de recursos externos. Moradores também participaram diretamente da preparação dos peixes e do processo produtivo.

Museu do Marajó

A atuação de Gallo incluiu ainda a criação de uma instituição dedicada à história e à cultura da região. Em 1981, ele fundou o Museu do Marajó, inicialmente em Santa Cruz do Arari. Anos depois, o museu foi transferido para Cachoeira do Arari.

O acervo reúne peças arqueológicas, objetos do cotidiano e elementos da cultura marajoara. A proposta também estimulava a participação dos moradores na preservação e na construção do acervo. Entre as iniciativas de Gallo estavam os chamados “computadores caipiras”, estruturas educativas feitas com madeira, barbantes e manivelas.

Giovanni Gallo morreu em 2003. O Museu do Marajó e as obras financiadas pelo projeto das piranhas permanecem associados à memória e à identidade do Marajó, em um legado que atravessou décadas na Amazônia.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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