A Geração Z entrou na vida adulta em um cenário de maior dificuldade para conseguir emprego, comprar uma casa e construir uma aposentadoria confortável. A avaliação é da professora Suzy Welch, da NYU Stern School of Business, que questiona a ideia de que formação e esforço necessariamente garantam segurança econômica.
Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) mostram que o desemprego entre jovens chegou a 12,4% em 2025, contra 3,6% entre adultos. A taxa dos mais novos foi 3,4 vezes maior. O índice ficou em 9,8% na América do Norte e em 15% na Europa do Norte, Sul e Ocidental. A organização também aponta que, em algumas regiões, a população jovem cresce mais rápido que a oferta de empregos.
Salários, moradia e aposentadoria
A dificuldade não termina com a contratação. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) informou que os salários reais avançaram 2,2% no primeiro trimestre de 2026, mas ainda não tinham recuperado, em muitos países, o poder de compra perdido depois da inflação de 2022.
A entidade afirma que jovens que vivem em cidades enfrentam obstáculos para encontrar empregos de qualidade e moradias adequadas e acessíveis. Nesse contexto, o custo de estudar, se deslocar e manter uma vida independente também pesa sobre a possibilidade de formar patrimônio.
A mudança demográfica amplia a pressão sobre os sistemas previdenciários. Nos países da OCDE, a proporção de pessoas com 65 anos ou mais para cada 100 pessoas de 20 a 64 anos deve subir de 33, em 2025, para 52 em 2050.
Para quem começou a carreira em 2024, a projeção média da idade normal de aposentadoria é de 66,4 anos entre os homens e 65,9 anos entre as mulheres, considerando as regras atualmente estabelecidas.
No Brasil, 46,6 milhões de pessoas tinham entre 15 e 29 anos em 2025. Desse total, 16,6% não trabalhavam, não estudavam nem participavam de formação profissional.
Para Welch, a combinação entre entrada mais difícil no mercado, pressão sobre salários e moradia, avanço tecnológico e alterações na previdência explica por que a promessa de estudar, trabalhar e esperar por estabilidade deixou de parecer natural para muitos jovens.



