Porto Alegre, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

PF apreende cerca de R$ 614 mil em dinheiro ligado a endereços de Ciro Nogueira

Relatórios da Operação Compliance Zero apontam apreensões em imóveis do senador e de familiares, além de documentos que seriam queimados.

PF apreendeu R$ 614 mil em espécie em endereços de Ciro Nogueira na Operação Compliance Zero

A Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 614 mil em dinheiro vivo em imóveis ligados ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) durante a quinta fase da Operação Compliance Zero, realizada em maio deste ano. Os documentos da investigação foram divulgados após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, retirar o sigilo de parte das peças.

As buscas foram autorizadas pelo STF e alcançaram propriedades do senador e de familiares. Em um imóvel de Ciro Nogueira em Teresina, os agentes encontraram R$ 31.760,00 e 14.070 euros dentro de um cofre. Na residência do parlamentar em Brasília, foram apreendidos US$ 27.735 e 1.555 euros, guardados no escritório que pertenceu ao ex-ministro do governo Jair Bolsonaro.

Na casa de Raimundo Neto e Silva Nogueira Lima, irmão do senador, a PF localizou 10.155 euros e US$ 55.733 em um cofre. Raimundo declarou que o espaço era um “cofre familiar” e que o dinheiro correspondia a economias para viagens internacionais. Também foram apreendidos veículos de luxo e aparelhos eletrônicos.

A operação ainda passou por um imóvel da ex-senadora Eliane Nogueira, mãe de Ciro. Os policiais encontraram reais, dólares e euros, mas não retiveram os valores por considerá-los compatíveis com a capacidade econômica da moradora e sem ligação direta demonstrada com os crimes investigados. Pela cotação atual, o total das apreensões chega a R$ 614 mil; na época dos mandados, a estimativa era de R$ 589 mil.

Documentos na churrasqueira

Um relatório da PF registra que documentos foram encontrados na área da churrasqueira da residência de Ciro Nogueira, em Brasília. Uma funcionária doméstica afirmou aos policiais que o senador havia ordenado a queima do material, o que não ocorreu antes da chegada dos agentes.

Entre os papéis havia um rascunho com o cabeçalho “Câmara” e nomes acompanhados de números. O relatório menciona “Arthur”, “Hugo” e “Luizinho” como possíveis referências a Arthur Lira, Hugo Motta e Doutor Luizinho. A PF informou que os valores anotados ainda precisam ser esclarecidos.

Ciro Nogueira é investigado por suspeita de receber vantagens indevidas de Daniel Vorcaro para atuar no Congresso em favor de empresas do grupo Master. A PF também afirma que viagens internacionais do senador foram custeadas pelo banqueiro.

Em 2024, Ciro apresentou uma proposta que ficou conhecida como “emenda Master”, para elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão a garantia máxima do Fundo Garantidor de Crédito. As investigações também analisam a atuação do senador contra a instalação de uma CPI para apurar o banco.

A divulgação dos documentos ocorreu após divergências no STF sobre a extensão do levantamento do sigilo. O senador não respondeu aos contatos feitos por sua assessoria para comentar as apreensões e as menções nos relatórios.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.