Porto Alegre, Domingo, 11 de outubro de 2026
Esportes

Altitude muda o custo do treino e exige ajuste de ritmo

A menor pressão atmosférica reduz a disponibilidade de oxigênio e pode elevar a respiração, a frequência cardíaca e a percepção de esforço.

Altitude muda o custo do treino e exige ajuste de ritmo

O mesmo ritmo de corrida pode exigir mais do organismo em uma região de altitude elevada. A distância, o tênis e o percurso podem permanecer iguais, mas a respiração acelera, o coração trabalha mais e as pernas parecem pesar. Isso não significa necessariamente perda de condicionamento: o ambiente mudou.

O que acontece com o oxigênio

A concentração de oxigênio na atmosfera continua próxima de 21%. Com o aumento da altitude, porém, a pressão atmosférica diminui. Como consequência, também cai a pressão parcial de oxigênio disponível para ser transportado aos tecidos. Essa condição é chamada de hipóxia de altitude.

O organismo responde aumentando a ventilação e, em muitos casos, a frequência cardíaca. Em exercício realizado sob hipóxia aguda, uma revisão publicada em 2026 aponta que a frequência cardíaca e a ventilação minuto ficam maiores para a mesma carga de trabalho. O consumo máximo de oxigênio também diminui progressivamente conforme a altitude aumenta.

Na prática, uma velocidade que parecia confortável ao nível do mar pode representar uma intensidade maior em altitude. Se uma pessoa costuma correr a 5 minutos por quilômetro e tenta repetir esse ritmo em uma região elevada, pode perceber mais falta de ar e esforço. Reduzir a velocidade pode ser necessário para preservar a intensidade fisiológica planejada.

A aclimatação não é imediata

Pessoas que vivem em altitude desenvolvem adaptações, como alterações na ventilação e aumento da produção de glóbulos vermelhos. Ainda assim, genética, treinamento, modalidade, duração da exposição e características individuais influenciam a resposta.

A aclimatação melhora a capacidade de funcionar naquele ambiente, mas não transforma a altitude em nível do mar. Mesmo após esse processo, o desempenho máximo permanece inferior ao observado em baixas altitudes.

O CDC recomenda uma subida gradual. Para quem chega a altitudes acima de 3.000 metros, a orientação é limitar o aumento da altitude de pernoite a aproximadamente 500 metros por dia e incluir noites adicionais de aclimatação conforme a subida. Para viajantes, também recomenda apenas exercícios leves nas primeiras 48 horas e evitar esforço pesado nesse período.

Ritmo, sintomas e segurança

O condicionamento físico não elimina o risco de doença da altitude. O mal agudo da montanha pode incluir dor de cabeça e perda de apetite, especialmente quando uma pessoa não aclimatada sobe rapidamente. Sintomas em piora não devem ser tratados apenas como falta de preparo.

O CDC orienta não avançar para altitudes maiores enquanto houver sintomas. Se eles piorarem mesmo em repouso, a recomendação é descer para uma altitude menor. Confusão, perda de coordenação, falta de ar importante em repouso, fraqueza intensa ou tosse associada a dificuldade respiratória são sinais de alerta.

Para corredores e ciclistas, o relógio não deve ser o único parâmetro. Percepção de esforço, frequência cardíaca, sensação muscular e duração da atividade também ajudam a interpretar a carga. Uma caminhada, pedalada, corrida ou trilha pode exigir mais sem que a pessoa tenha perdido condicionamento.

O treinamento em altitude pode ser usado para buscar adaptações fisiológicas. Uma meta-análise publicada em 2025 encontrou resultados positivos em determinados protocolos, enquanto uma revisão de 2026 apontou associações com melhorias no VO₂ máximo e em parâmetros hematológicos, mas também ressaltou limitações na literatura. Os efeitos variam conforme o modelo de exposição e treinamento, e não há uma fórmula única para todos os atletas.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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