Para quem desembarca com corrida, trilha, pedalada ou outra atividade prevista, o voo deve ser considerado parte da preparação. Depois de várias horas sentado, retomar o movimento de forma gradual pode ser mais adequado do que iniciar um treino intenso imediatamente.
A permanência prolongada na mesma posição reduz a participação dos músculos das pernas na circulação. Com os joelhos flexionados, os pés em pouco espaço e os tornozelos quase imóveis, a panturrilha deixa de realizar o trabalho repetido que ajuda a conduzir o sangue pelas veias. O CDC afirma que essa imobilidade favorece a estase venosa, caracterizada pela redução do fluxo sanguíneo nas veias das pernas.
Como reduzir a imobilidade
Durante viagens longas, o CDC recomenda levantar ou caminhar ocasionalmente e fazer movimentos com as pernas enquanto se está sentado. Mexer os tornozelos, elevar os calcanhares, levantar os dedos dos pés, contrair e relaxar a musculatura e estender as pernas quando houver espaço são opções simples. Caminhar pelo corredor pode ser feito quando for seguro e permitido.
O Ministério da Saúde recomenda manter a hidratação durante viagens de avião e orienta evitar ficar mais de duas horas parado na mesma posição. Beber água, porém, não substitui a movimentação das pernas.
Ao desembarcar, caminhar pelo aeroporto, passar pelo controle de segurança, buscar a bagagem ou seguir até o hotel já recoloca os músculos em ação. A Organização Mundial da Saúde considera deslocamentos, caminhadas e outras formas de movimento como atividade física.
Quando retomar o treino
A resposta depende das condições da viagem e de como a pessoa está se sentindo. Rigidez leve pode ser acompanhada por uma caminhada ou outra atividade mais tranquila. Já fadiga importante, tontura, mal-estar ou sintomas incomuns são sinais para evitar insistência em um exercício intenso.
Uma pessoa que viajou oito ou dez horas pode chegar com sono interrompido, mudança de horário, alimentação diferente, pouca movimentação, tempo em aeroportos e estresse do deslocamento. Por isso, o treino feito depois da viagem pode não equivaler ao de um dia normal, sem que isso signifique perda de condicionamento.
Não existe uma regra universal que proíba correr após um voo. O treinamento deve levar em conta a condição daquele dia. Também não é necessário fazer um exercício pesado para compensar o tempo sentado.
Sinais que exigem avaliação
Pés e tornozelos podem ficar inchados após horas na mesma postura, e um inchaço leve e temporário não indica automaticamente trombose. No entanto, inchaço novo acompanhado de dor, calor ou vermelhidão em uma perna pode ser sinal de trombose venosa profunda.
Os sinais também podem incluir dor ou sensibilidade sem explicação, aumento da temperatura e alteração da cor da pele em uma perna ou braço. Cerca de metade das pessoas com TVP pode não apresentar sintomas, e a sensação de perna pesada não permite confirmar o diagnóstico.
Dificuldade súbita e importante para respirar, batimento cardíaco acelerado ou irregular, dor no peito, tosse com sangue, tontura ou desmaio podem estar relacionados a uma embolia pulmonar. O CDC recomenda atendimento médico imediato diante desses sinais.
Quem precisa de orientação individualizada
O risco associado a viagens longas aumenta quando existem fatores como histórico de trombose, idade mais avançada, cirurgia ou lesão recente, gravidez e período pós-parto, uso de medicamentos com estrogênio, alguns tipos de câncer, distúrbios de coagulação, mobilidade limitada e certas doenças crônicas.
O CDC orienta que pessoas com fatores de risco conversem com um médico sobre medidas preventivas. Meias de compressão graduada podem reduzir trombose venosa profunda assintomática em determinados viajantes, mas a indicação depende do perfil individual.
A mesma preocupação vale para carro, ônibus e trem. O CDC considera viagens de mais de quatro horas em diferentes meios de transporte como situações em que pode haver risco aumentado de trombose relacionado à imobilidade. A recomendação central é interromper períodos prolongados sentado, movimentar os pés e caminhar quando possível.




