O uso excessivo de smartphones foi associado a uma probabilidade mais de duas vezes maior de relatar dor no pescoço, conforme uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2025. O resultado indica associação, mas não prova que o celular seja a causa isolada do sintoma.
A posição adotada durante o uso também altera a exigência sobre o corpo. Estudos observaram mudanças no ângulo entre cabeça e pescoço, deslocamento da cabeça para frente e maior atividade de músculos como o trapézio superior e os extensores cervicais. A alteração foi maior quando o aparelho era usado sentado do que em pé.
O que a evidência permite afirmar
Uma revisão publicada em 2025 não encontrou evidências suficientes para estabelecer uma relação causal entre o chamado “text neck” e a dor cervical. Entre os 21 artigos analisados, 90% tinham desenho observacional, o que limita conclusões sobre causa e efeito.
Por isso, “pescoço de celular” não é uma doença específica capaz de explicar toda dor cervical. O desconforto pode estar relacionado ao tempo prolongado na mesma posição, à repetição e à falta de variação. Outros fatores também podem participar, como sedentarismo, trabalho diante do computador, sono, estresse, atividade física e histórico de problemas musculoesqueléticos.
A influência não se restringe ao pescoço. Revisões sobre dispositivos móveis encontraram relatos de desconforto nos ombros, braços, punhos, mãos, dedos e polegares. O tamanho da tela, a forma de segurar o aparelho e a tarefa realizada — como digitar, jogar, assistir a vídeos ou navegar — também podem modificar a postura e a demanda sobre os músculos.
Movimento em vez de postura perfeita
Não é necessário buscar um único ângulo ideal nem abandonar o smartphone. Mudar de posição regularmente pode ser mais útil do que permanecer estático tentando manter uma postura considerada correta. Apoiar o aparelho, alternar entre posições e interromper o uso para se movimentar são formas de reduzir a repetição.
Colocar a tela mais perto da altura dos olhos pode diminuir a necessidade de flexionar o pescoço, mas segurar o telefone muito alto por muito tempo pode aumentar a demanda sobre braços e ombros. O objetivo é criar variação, não manter o aparelho em uma posição fixa.
Alongamentos podem trazer uma sensação agradável, mas não substituem a mudança de comportamento ao longo do dia. Caminhar, treinar, andar de bicicleta ou praticar um esporte também ajudam a reduzir o tempo total de comportamento sedentário, embora não seja preciso esperar o horário do exercício para mudar de posição.
Se a dor persistir, piorar ou vier acompanhada de formigamento, dormência, perda de força ou dor que se espalha para o braço, é necessário buscar avaliação profissional. Dor cervical pode ter muitas causas e não deve ser atribuída automaticamente ao celular.




