Porto Alegre, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Esportes

Estudo associa especialização esportiva precoce a mais lesões em jovens

Revisões indicam riscos da dedicação exclusiva e não apontam vantagem clara para o sucesso esportivo na infância.

Estudo associa especialização esportiva precoce a mais lesões em jovens

Jovens que praticam apenas uma modalidade esportiva tiveram risco de lesão 37% maior do que aqueles que praticavam diferentes esportes, segundo uma revisão sistemática e meta-análise publicada no Orthopaedic Journal of Sports Medicine. Outra meta-análise, publicada em 2026, também associou a especialização esportiva a mais lesões, embora tenha apontado diferenças entre os contextos analisados.

A revisão publicada em 2025 reuniu 93 estudos e mais de 62 mil atletas. Os resultados associaram a especialização precoce a maior risco de lesões e a resultados negativos em alguns indicadores físicos e psicológicos. O levantamento não encontrou vantagem clara dessa prática em relação ao sucesso esportivo.

A especialização precoce não se resume a escolher uma modalidade aos oito ou dez anos. Nas pesquisas, o conceito costuma envolver a concentração em um único esporte, treinos durante grande parte do ano e a redução ou abandono de outras atividades esportivas e brincadeiras livres. Uma criança que faz futebol duas vezes por semana, nada, anda de bicicleta ou brinca no parque tem uma rotina diferente daquela que participa exclusivamente de treinos e competições de futebol durante praticamente todo o ano.

Variedade e escolha

A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda que as crianças conheçam diferentes modalidades antes de escolher aquela com a qual mais se identificam. A entidade orienta que a decisão considere idade, crescimento, desenvolvimento, habilidades e preferências individuais.

A prática de atividades variadas amplia o repertório de movimentos. A natação desenvolve experiências diferentes das do futebol; o judô trabalha quedas, equilíbrio e controle corporal; a ginástica envolve coordenação e percepção espacial; e os esportes coletivos acrescentam tomada de decisão e interação com outras pessoas.

Isso não significa afastar a criança do esporte de que ela gosta. O interesse por futebol, natação ou outra modalidade pode ser considerado, sem que isso implique abandonar todas as demais possibilidades. A SBP afirma que o prazer da criança deve fazer parte da escolha e que não há evidência de uma modalidade universalmente superior para o desenvolvimento físico ou motor.

Rotina e bem-estar

A entidade também recomenda evitar treinamentos excessivos, pressão e comparações de desempenho. Quando o dia a dia fica restrito a treinos, competições e cobrança por resultados, o esporte pode deixar de ser percebido como diversão.

Não existe uma idade universal para a escolha de um único esporte. As necessidades mudam conforme a modalidade, o nível de competição e o desenvolvimento individual. O descanso, a brincadeira livre, os passeios de bicicleta e os jogos com amigos também fazem parte das experiências de movimento.

Para ajudar na decisão, os adultos podem observar quais atividades despertam interesse, quais movimentos a criança prefere, se ela gosta de práticas individuais ou coletivas, como reage aos treinos e se demonstra vontade de continuar. O ambiente do clube ou da escola também deve contar com profissionais capacitados e evitar cobranças incompatíveis com a idade.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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