Porto Alegre, Domingo, 11 de outubro de 2026
Futebol

Ex-jogadores relatam compra de licenças falsas ligadas à ATFA

Petkovic, Guerrero, Felipe Melo e outros atletas são citados em apuração sobre certificados atribuídos à associação argentina de treinadores.

Ex-jogadores relatam compra de licenças falsas ligadas à ATFA

Alejandro Mancuso é acusado de oferecer licenças falsas de treinador atribuídas à Associação de Técnicos da Argentina (ATFA). Jogadores e ex-jogadores teriam pago até R$ 100 mil pelos documentos, que a própria entidade classifica como falsos. Mancuso nega ter vendido as licenças ou recebido dinheiro dos atletas.

Entre os citados estão Dejan Petkovic, Paolo Guerrero, Thiago Silva, Roberto Carlos, Felipe Melo, Alex de Souza, Luiz Gustavo, Diego Lugano e Paulinho. Petkovic confirmou ter negociado a licença com Mancuso e disse que não concluiu a etapa presencial. Guerrero também aparece entre os nomes mencionados.

Felipe Melo admitiu a negociação e afirmou que percebeu o problema quando as aulas presenciais não eram marcadas. A licença dele foi suspensa, e o caso entrou em investigação da polícia argentina em 2025. “Isso aqui tá errado”, disse o ex-jogador ao relatar o momento em que desconfiou da documentação.

Como funcionava a oferta

Mancuso apresentava um pacote com quatro licenças: PRO, de nível internacional; A, destinada ao futebol profissional; e B e C, voltadas às categorias de base. Os documentos eram enviados pelo correio em até dez dias.

Segundo os relatos, ele se identificava como diretor internacional da ATFA e dizia ter ligação com o presidente e o departamento jurídico da associação. A oferta permitia que ex-atletas evitassem o curso online. Os registros indicariam três anos de formação, entre 2021 e 2023, embora a ATFA informe que sua formação regular exige cursos, avaliações e atividades práticas, com duração de seis a 13 meses por etapa.

Thiago Silva afirmou, por meio da assessoria, que pagou por cursos que não ocorreram como prometido e recebeu os certificados no fim de 2023, sem utilizá-los. Roberto Carlos recebeu licenças e uma carteirinha, mas não usou os documentos. Alex de Souza disse que nunca utilizou o certificado, no qual a modalidade aparecia como “futsal”. Diego Lugano confirmou a compra em um “curso rápido”. Paulinho e Luiz Gustavo afirmaram acreditar que a entidade reconheceria a carreira de atletas de alto nível.

Posições da ATFA e de Mancuso

A ATFA declarou que Mancuso não integra sua diretoria, não ocupa cargo de autoridade e nunca foi autorizado a representá-la. A associação também informou que a Justiça Federal argentina investigou o caso em 2025, mas o processo foi arquivado em dezembro de 2025 por inexistência de crime.

No Brasil, os certificados não passaram pela validação da CBF. Os atletas também não cumpriram o Anexo 9 da Conmebol, procedimento necessário para realizar curso de treinador em uma federação estrangeira. A entidade sul-americana informou que não aceita as cópias autenticadas presentes nos documentos.

Mancuso disse que nunca fez parte da ATFA e que atua apenas como comentarista de rádio. Ele afirmou que os brasileiros o procuravam por sua fama no país e que apenas repassava o contato da federação.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.