O Flamengo pode perder o patrocínio máster da Betano após a edição da MP das Bets. A empresa sinalizou informalmente ao clube a possibilidade de encerrar o acordo, que prevê cerca de R$ 268 milhões por temporada e tem validade até o fim de 2028.
A diretoria rubro-negra avalia a Lubrax como possível substituta no espaço principal da camisa. Segundo uma avaliação interna, os contratos relacionados às apostas representam até 20% da receita prevista pelo clube: 15% vêm da Betano e 5%, do acordo com a Brax. O presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, calcula prejuízo acima de R$ 400 milhões.
O impacto financeiro integra a reação de clubes e entidades à medida provisória editada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Flamengo participou, em 17 de setembro, do manifesto “Fim do futebol”, publicado com outras equipes em defesa do mercado regulado. Depois da publicação da MP, o governo passou a preparar uma reunião com dirigentes sobre os efeitos financeiros da decisão.
Pedido ao Supremo
O Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional (Sinafut) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a suspensão imediata da MP e solicitou autorização para atuar como amicus curiae, ou amigo da corte, em uma ação relatada pelo ministro Luiz Fux.
A entidade quer que a medida deixe de valer até que o Congresso Nacional delibere sobre o tema. Como alternativa, aceita a suspensão até o julgamento definitivo das ações no Supremo. Se o pedido principal for negado, o sindicato propõe uma transição de até seis meses para manter as bets em operação.
Até a noite de segunda-feira (28), Fux não havia analisado os pedidos. Com isso, o prazo de 05 de outubro continuava previsto para o encerramento das operações das plataformas no país.
Argumento sobre manipulação
O Sinafut afirma representar federações, clubes e atletas. O sindicato é presidido por Gustavo Oliveira Vieira, dirigente da federação capixaba. Antes dele, Mustafá Contursi, ex-presidente do Palmeiras, comandou a entidade por 21 anos. A diretoria também tem dois vice-presidentes da CBF.
Na petição, o sindicato afirma que o fim do mercado regulado retiraria das empresas autorizadas obrigações de monitoramento e comunicação. Para a entidade, as apostas no futebol brasileiro continuariam em sites clandestinos, sem controle, o que enfraqueceria a identificação de irregularidades.
“Cessada a autorização, cessam também os deveres de monitoramento e comunicação”, diz o Sinafut. O sindicato também relaciona a vigência da MP ao calendário esportivo, porque o prazo alcança a fase final das competições nacionais e as decisões estaduais.
A medida provisória foi editada na última sexta-feira (25), quando o ministro da Fazenda, Dario Durigan, apresentou o texto ao lado de Lula. Desde então, as plataformas estão impedidas de receber novos depósitos. A MP interrompe um mercado regulamentado desde a Lei 14.790, de 2023.
A ANJL e o IBJR também pediram a Fux a suspensão imediata da medida. Até uma decisão judicial, porém, as regras permanecem em vigor.



