A FDA, agência que regula medicamentos nos Estados Unidos, aprovou o tavapadon para o tratamento da doença de Parkinson. Administrado uma vez ao dia em comprimido, o medicamento começou a ser vendido no mercado americano na segunda-feira (28), com o nome comercial Juvmo.
Ainda não há previsão para a chegada ao Brasil. A AbbVie, fabricante do remédio, informou que avalia como poderá disponibilizá-lo em outros países. A empresa não disse se já submeteu, ou quando pretende submeter, os estudos à Anvisa.
Mais de 11 milhões de pessoas vivem com Parkinson no mundo, segundo a Parkinsons Foundation. No Brasil, a Associação Brasileira de Neurologia estima mais de 500 mil pacientes. A doença neurodegenerativa afeta principalmente pessoas com mais de 60 anos, não tem cura e provoca a perda progressiva de neurônios que produzem dopamina, substância envolvida no controle dos movimentos. Tremores, rigidez e alterações no equilíbrio estão entre os sintomas mais comuns.
Ação sobre receptores de dopamina
O tavapadon pertence à classe dos agonistas dopaminérgicos e atua principalmente sobre os receptores D1 e D5. Medicamentos disponíveis no Brasil, como pramipexol e rotigotina, agem sobretudo nos receptores D2 e D3.
Esses remédios podem causar efeitos adversos, como sonolência e inchaço nas pernas. Também podem provocar desregulação do controle dos impulsos, associada a comportamentos compulsivos envolvendo jogos e apostas, compras, alimentação e atividade sexual.
Para o neurologista Felipe Sampaio Saba, especialista em distúrbios do movimento e médico do Einstein Hospital Israelita, a ação seletiva do tavapadon pode reduzir esse risco. “O tavapadon veio exatamente para estimular o grupo de receptores de dopamina em que isso não acontece”, afirmou.
A aprovação da FDA foi baseada em três estudos de fase 3, com pacientes em estágio inicial da doença e outros que já usavam levodopa. Os resultados indicaram melhora dos sintomas. Náusea, tontura e dor de cabeça apareceram entre os efeitos colaterais mais comuns.
Saba afirmou que ainda não há evidência direta de que o tavapadon seja superior a outros medicamentos da mesma classe. Os estudos compararam o remédio apenas com placebo, e o neurologista ressaltou que os trabalhos foram conduzidos pelos laboratórios.



