Porto Alegre, Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Saúde e treino

Governo estima custo de R$ 1,5 bilhão por ano para canetas no SUS

Alexandre Padilha diz que milhões de pacientes podem ser atendidos, mas público, início da oferta e custo por tratamento ainda não foram definidos.

Governo estima custo de R$ 1,5 bilhão por ano para canetas no SUS

O governo federal estima que a oferta de canetas emagrecedoras pelo Sistema Único de Saúde (SUS) possa alcançar milhões de pacientes, com custo anual de R$ 1,5 bilhão. O público elegível, a data de início da distribuição e o valor médio por tratamento ainda não foram definidos.

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), afirmou que a proposta será analisada pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec). Na quinta-feira (24), o ministério solicitou à comissão a elaboração de um protocolo para pacientes com obesidade. A pasta estima que 25% da população esteja nessa condição.

A área técnica da Conitec deverá indicar quais grupos poderão receber os medicamentos, considerando fatores como grau de obesidade, diabetes e outras comorbidades. Também caberá à comissão calcular o custo da distribuição na rede pública.

Padilha negou que a medida tenha motivação eleitoral, embora a inclusão dos medicamentos no SUS tenha sido apresentada dias antes como promessa de campanha à reeleição de Lula. “Não estamos falando de incorporar um milagre estético”, disse o ministro, ao defender a combinação dos remédios com alimentação e atividade física.

Preço e produção

A Conitec rejeitou três vezes a incorporação das canetas nos últimos anos. Em agosto de 2025, recusou uma proposta da Novo Nordisk, fabricante de Ozempic e Wegovy, que previa custo de R$ 6,8 bilhões em cinco anos e atendimento a algumas dezenas de milhares de pacientes.

Segundo Padilha, compras em grande escala e a produção local podem reduzir os preços entre 80% e 90%. O ministro também afirmou que laboratórios públicos poderão fazer parcerias de transferência de tecnologia com empresas privadas.

“Eu projeto que, com algo em torno de R$ 1,5 bilhão ao ano, a gente consegue trazer esses produtos e incorporar no SUS”, afirmou Padilha.

A expectativa de descontos está relacionada à entrada de mais de dez canetas com semaglutida no mercado em 2026. A substância é a mesma do Ozempic. Em uma análise encerrada em 2025, a Conitec calculou que o tratamento custaria mais de R$ 12 mil por paciente a cada ano.

A Novo Nordisk apresentou uma nova proposta, agora voltada a pacientes com obesidade que já sofreram infarto. A empresa estima um público de cerca de 39 mil pessoas, com custo anual entre R$ 500 milhões e R$ 650 milhões.

Avaliação da Conitec

Além do preço, a comissão apontou a falta de políticas intersetoriais, como suporte psicológico e acompanhamento físico. Também avaliou que o uso isolado das canetas poderia não ser efetivo como política pública.

Padilha afirmou que esse cenário mudou após a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendar os medicamentos como parte de estratégias de combate à obesidade. Ele citou ainda investimentos do programa Academia da Saúde na contratação de nutricionistas, educadores físicos e outros profissionais.

As canetas são medicamentos agonistas de GLP-1, hormônio envolvido no controle da glicose e da saciedade. São indicadas para diabetes e obesidade. Os produtos disponíveis incluem medicamentos com semaglutida, como Ozempic, Wegovy e Ozivy; tirzepatida, como Mounjaro; e versões com liraglutida.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.