A experiência de Joana Jeker com o câncer de mama deixou de ser apenas uma lembrança do tratamento e passou a orientar sua atuação na defesa de políticas públicas. Em 2011, ela fundou a Recomeçar e começou a trabalhar pelos direitos das pessoas com câncer.
Aos 30 anos, em 2007, Joana vivia na Austrália quando identificou um nódulo na mama. A mãe e uma tia já haviam enfrentado a doença. Depois de procurar atendimento, ela foi encaminhada para uma clínica especializada e recebeu o diagnóstico no mesmo dia.
Joana decidiu retornar ao Brasil para tratar o câncer. Pelo Sistema Único de Saúde (SUS), fez uma cirurgia para retirar a mama direita, quatro sessões de quimioterapia e, depois, três cirurgias de reconstrução mamária. “O SUS salvou a minha vida”, afirma.
Da cicatriz à militância
A reconstrução marcou uma nova etapa. Uma cicatriz de aproximadamente 70 centímetros percorre as costas e chega à região da mama direita. No começo, a marca causava incômodo e mantinha presente a lembrança do período da doença.
Joana decidiu cobrir parte da cicatriz com uma tatuagem de flor de cerejeira. Com o tempo, passou a atribuir outro significado à marca. “Os meus 70 cm de cicatriz não doem mais, foram ressignificados”, diz.
Ela também relata efeitos que não podem ser vistos, como o medo permanente de que o câncer volte. A vivência do tratamento, porém, tornou-se uma motivação para a militância em favor de outras pessoas.
Defesa do atendimento público
A atuação de Joana inclui campanhas de conscientização e participação na construção e aprovação de políticas relacionadas ao câncer. Entre as iniciativas citadas por ela estão medidas sobre testes genéticos no Distrito Federal e a chamada Lei dos 30 Dias, que estabelece prazo para a realização dos exames necessários à confirmação do diagnóstico.
Em 2012, Joana passou a atuar na construção, no fomento e na aprovação de políticas públicas de combate ao câncer executadas pelo SUS. Ela defende o fortalecimento do sistema para ampliar o acesso ao diagnóstico precoce, ao tratamento oportuno, à reabilitação e à reconstrução mamária.
A ativista também destaca a importância das farmácias de alto custo para pacientes que precisam de tratamento contínuo ou têm outras condições de saúde associadas ao câncer. Para Joana, garantir esse atendimento é parte da ampliação do cuidado oferecido pelo sistema público.
A trajetória começou com a identificação de um nódulo durante o autoexame e passou pelo tratamento, pela reconstrução e pela ressignificação das marcas da doença. Hoje, Joana associa a própria experiência à defesa de que outras mulheres tenham acesso ao cuidado necessário.




