Porto Alegre, Domingo, 11 de outubro de 2026
Saúde e treino

SUS leva sangue raro do Ceará a Minas em voo comercial para transfusão

Bolsa foi localizada por cadastro nacional após equipe médica identificar anticorpo raro em paciente que passou por transplante renal.

SUS leva sangue raro do Ceará a Minas em voo comercial para transfusão

O SUS realizou o segundo transporte de sangue raro na cabine de um avião comercial no Brasil. Coletada no Ceará, a bolsa chegou nesta sexta-feira (9) a Juiz de Fora, em Minas Gerais, para atender um paciente em estado grave que havia passado por um transplante renal e aguardava transfusão.

A operação ocorreu por meio de uma parceria entre o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e companhias aéreas. O acordo permite o deslocamento mais rápido de bolsas compatíveis, inclusive à noite, nos fins de semana e em feriados. Antes, esse material era enviado como carga, com prazos maiores e restrições.

Durante os exames que antecedem a transfusão, a equipe médica identificou no paciente o anticorpo anti-Jsb. A dificuldade para encontrar uma bolsa compatível levou a rede de hemoterapia a consultar o CNSR (Cadastro Nacional de Sangue Raro), do Ministério da Saúde. O sistema indicou um doador no Ceará.

O doador foi ao hemocentro, e a coleta e a liberação da bolsa ocorreram no mesmo dia. O material seguiu em embalagem apropriada, com controle de temperatura, e foi levado gratuitamente dentro de uma aeronave comercial. Outros doadores também estão sendo convocados para atender às necessidades do paciente.

Cadastro e transporte

Criado pelo Ministério da Saúde em 2013, o Cadastro Nacional de Sangue Raro tem atualmente 2.032 doadores e já ajudou no atendimento de mais de 300 pacientes.

A primeira operação desse tipo no país foi realizada em 12 de setembro, com uma bolsa enviada de São Paulo ao Piauí. O material atendia um paciente com doença renal crônica em estado grave. Após a localização de um doador compatível em São Paulo, a transfusão foi feita com sucesso, e a equipe informou que o paciente apresentou bom estado de saúde depois do procedimento.

A médica Giuliana Lugarini explica que um perfil sanguíneo costuma ser considerado raro quando aparece em menos de um a cada mil doadores testados. A frequência pode variar conforme a população analisada. Além dos sistemas ABO e Rh, outros antígenos presentes nas hemácias influenciam a compatibilidade.

Quanto mais específica for a combinação exigida, menor tende a ser a chance de encontrar um doador em um único centro. Em casos complexos, a busca pode envolver bancos de dados de diferentes hemocentros e convocação de pessoas de outros estados.

Durante o transporte, as hemácias precisam permanecer em condições controladas. A faixa usual de armazenamento é de 1°C a 6°C; no deslocamento, pode chegar a 1°C a 10°C, conforme os protocolos. Caixas térmicas e monitoramento contínuo ajudam a preservar a cadeia de frio.

O Ministério da Saúde prevê ampliar a identificação de pessoas com perfis sanguíneos raros e estruturar laboratórios de referência. A adesão do Brasil a uma rede mundial de sangue raro está prevista para outubro de 2026. A iniciativa poderá facilitar pedidos de unidades a outros países e o envio de bolsas brasileiras para pacientes no exterior.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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