BARRETOS — Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a intenção de criar centros de recuperação para pessoas com câncer em cidades brasileiras com mais de 150 mil habitantes. A proposta inclui serviços de reabilitação e acompanhamento após o tratamento, com o objetivo de devolver aos pacientes mobilidade e qualidade de vida.
“Não basta curar, é preciso devolver a vida, o movimento, o prazer pela vida, o sabor”, afirmou Lula durante visita ao Hospital de Amor de Barretos, no interior de São Paulo. O presidente disse que a expansão faz parte dos próximos anos de sua gestão e defendeu que o atendimento não dependa da condição financeira do paciente.
Atendimento oncológico
Ao falar sobre o Hospital de Amor, Lula destacou a atuação do presidente da instituição, Henrique Prata, na ampliação dos serviços. Ele afirmou que esta foi a terceira visita ao hospital e relatou que Prata costuma buscar apoio em Brasília para iniciativas novas.
Lula também relacionou a estrutura de atendimento do Hospital de Amor ao papel do Sistema Único de Saúde (SUS). Para o presidente, a rede pública deve oferecer atendimento gratuito e de qualidade, principalmente às pessoas mais vulneráveis.
Papel do SUS
Durante o discurso, Lula disse que o SUS realiza 99% dos transplantes do país e afirmou que não há outro sistema de saúde semelhante em países com mais de 100 milhões de habitantes. “O SUS é uma das obras-primas da saúde mundial”, declarou.
O presidente relembrou a criação do sistema na Constituição de 1988 e afirmou que o modelo enfrentou resistência de setores privados e críticas ao longo dos anos. Segundo Lula, a atuação de enfermeiros, médicos, motoristas de ambulância e profissionais de limpeza foi pouco reconhecida nesse período.
Ele disse ainda que a pandemia de Covid-19 mudou a percepção sobre a rede pública. Lula criticou o negacionismo científico e a disseminação de informações falsas sobre vacinas. Em sua avaliação, 716 mil mortes ocorreram no período e pelo menos 400 mil poderiam ter sido evitadas se a ciência tivesse sido ouvida.
Lula também comparou o atendimento público brasileiro ao sistema dos Estados Unidos. Como exemplo, mencionou um jornalista norte-americano atendido pelo SAMU em Ilhabela, no litoral paulista, após sofrer um ferimento na cabeça. O paciente recebeu atendimento hospitalar e oito pontos sem cobrança, segundo o relato do presidente.
Ao final, Lula afirmou que pretende consolidar o SUS como referência internacional em saúde universal.



