Segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Saúde e treino

Rim suíno modificado funciona por 271 dias em paciente nos Estados Unidos

Tim Andrews recebeu o órgão em janeiro de 2025 e depois passou por um transplante renal humano, sem sinais de rejeição.

Rim suíno modificado funciona por 271 dias em paciente nos Estados Unidos

Um rim de porco geneticamente modificado permaneceu em funcionamento por 271 dias no corpo de Tim Andrews, paciente norte-americano com doença renal em estágio terminal. Durante esse período, o órgão filtrou o sangue, regulou a água e manteve os níveis de minerais sem que Andrews precisasse fazer diálise.

O procedimento foi liderado pelo médico e pesquisador brasileiro Leonardo Riella, professor da Faculdade de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos. Andrews, de 66 anos, recebeu o rim suíno em janeiro de 2025, depois de um ano e meio em tratamento com diuréticos e diálise. Antes da cirurgia, havia perdido a mobilidade e usava cadeira de rodas, além de enfrentar náuseas e prostração frequentes.

Após o transplante, ele retomou atividades como acampar e carregar peso. O órgão precisou ser retirado depois que o paciente contraiu uma infecção bacteriana. Para tratar o quadro, foi necessário reduzir os medicamentos imunossupressores, usados para evitar a rejeição. Com a reativação do sistema imunológico, o tecido animal passou a ser atacado.

Oitenta e dois dias depois da retirada do rim suíno, Andrews recebeu um rim humano convencional e segue saudável, sem sinais de rejeição.

Modificações genéticas

A equipe responsável desenvolveu as alterações no animal doador ao longo de cinco anos de pesquisas, com aprovação da Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos. O trabalho envolveu a desativação de genes ligados à rejeição imediata, a neutralização de fragmentos de DNA viral presentes no genoma suíno e a inserção de sete genes humanos.

Essas mudanças reduziram o reconhecimento do órgão como um tecido estranho pelo sistema imunológico humano. Em um ensaio anterior, realizado em 2024, outro paciente sobreviveu por 52 dias com um rim animal. Ele morreu por complicações cardíacas não relacionadas ao órgão transplantado.

Próximos passos

No Brasil, mais de 45 mil pessoas aguardam um rim na fila de transplantes, conforme dados do Ministério da Saúde. Leonardo Riella estima que, em cinco anos, o xenotransplante possa ser usado como uma ponte temporária para pessoas à espera de órgãos humanos, especialmente para retirá-las da diálise.

Em abril, cientistas do Centro de Ciência para o Desenvolvimento em Xenotransplante da Universidade de São Paulo anunciaram, em Piracicaba (SP), o nascimento do primeiro porco clonado do país. A equipe dominou a edição genética em 2022, com a desativação de três genes suínos de rejeição e a inserção de sete genes humanos.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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