Adriano Skrebsky Reinheimer alerta para o retorno de práticas autoritárias no Brasil e afirma que a memória da ditadura deve servir como defesa da ordem democrática. Para o autor, discursos associados a “Deus, Pátria e Família” voltam a ser usados por setores conservadores, agora ligados ao controle de armas por Colecionadores, Atiradores Desportivos e Caçadores (CACs).
O artigo recupera a origem do projeto “Brasil: Nunca Mais”, produzido clandestinamente com base em documentos oficiais da ditadura e processos do Superior Tribunal Militar (STM). Liderado pela Arquidiocese de São Paulo, o grupo responsável pelo trabalho identificou a tortura como uma política de Estado sistemática e institucionalizada. O livro foi lançado em 1985.
Na avaliação de Reinheimer, o autoritarismo reapareceu sob a forma do conservadorismo reacionário e chegou ao poder após a crise política de 2016. O autor também critica a condução da operação realizada a partir de Curitiba e atribui ao grupo político que governou o país a responsabilidade por danos nas áreas ambiental, da saúde pública e da educação. O texto menciona ainda que o Brasil registrou oficialmente mais de 716 mil mortes durante a pandemia de Covid-19.
O articulista acusa setores apresentados como lideranças religiosas de usar os púlpitos para fazer política partidária e de estimular discursos contra a ciência e a educação. Também afirma que narrativas sobre um inimigo interno e a luta contra o comunismo foram recicladas para espalhar pânicos morais e ocultar problemas na economia, na saúde e na educação.
Referências históricas e culturais
O texto relaciona o projeto político brasileiro à extrema-direita global e ao presidente dos Estados Unidos. Nesse trecho, Reinheimer cita o empresário e pai do presidente americano, associado por Woody Guthrie à segregação racial, à cobrança de aluguéis abusivos e à discriminação de cidadãos negros em Nova York nos anos 1950.
O autor também menciona Bob Dylan, apresentado como admirador de Guthrie e herdeiro de uma tradição musical de resistência à injustiça e ao fascismo.
Ao final, Reinheimer afirma que a volta ao poder de representantes dessa corrente, ou de seus herdeiros políticos, significaria um retrocesso civilizatório. O artigo defende a rejeição à violação de direitos humanos, ao desprezo pela ciência e à desinformação, retomando o alerta do livro: “Brasil: Nunca Mais”.
Adriano Skrebsky Reinheimer é engenheiro civil e servidor público.



