BUENOS AIRES — Manuela Bugueño, chilena de 30 anos, sofreu uma parada cardíaca ao concluir a Meia Maratona de Buenos Aires, no último domingo (22). Ela desmaiou depois de olhar para o relógio e foi reanimada em seis minutos por equipes médicas próximas à linha de chegada.
A corredora completou os 21km em 1h30m37s. Com esse tempo, terminou na 116ª colocação entre as cinco mil mulheres participantes e na 1.261ª posição geral, em um grupo de 20 mil corredores.
Quatro voluntários da Cruz Vermelha chegaram em menos de um minuto e levaram Manuela ao posto médico. O diretor médico da prova, Diego Pizzini, informou que cardiologistas e médicos emergencistas constataram a parada cardíaca, iniciaram a reanimação cardiopulmonar (RCP) e usaram um desfibrilador.
O cardiologista Roberto Campos, que atendeu a atleta, disse que ela teve o colapso às 8h35m. O pulso foi recuperado às 8h41m, e Manuela chegou às 8h57m ao Hospital Fernández, em uma ambulância. Ela só conseguiu falar 22 minutos depois, já no hospital, e relatou que sua última lembrança era olhar o tempo no relógio.
Após ser estabilizada, a chilena foi transferida para o Hospital Alemão. Ainda serão realizados exames para investigar as causas do episódio. Campos afirmou que pessoas com doença cardíaca ou problema genético devem aguardar antes de voltar a atividades esportivas de alta intensidade, como uma meia maratona.
Estrutura médica
A organização Ñandú disponibilizou 41 desfibriladores no circuito: 27 desfibriladores externos automáticos (DEA) e 14 desfibriladores cardioversores em unidades de terapia intensiva móveis. A prova também contou com 11 postos de pronto-socorro, 14 ambulâncias, quatro motocicletas com paramédicos, 12 motocicletas com DEA, 15 fisioterapeutas, 105 guarda-vidas e um centro de coordenação de emergência.
Pizzini afirmou que o número de atendimentos ficou abaixo do esperado para uma prova com mais de 20 mil participantes. A maioria dos casos envolveu problemas musculares.
Segundo Campos, a Argentina registra cerca de 35 mil mortes súbitas por ano. No mundo, são três milhões de mortes anuais, com incidência de um a dois casos por mil habitantes. O cardiologista esportivo Norberto Debbag afirmou que os primeiros quatro minutos são decisivos e que cada minuto sem reanimação reduz em 10% a chance de sobrevivência.



