Porto Alegre, Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Brasil

Carbono Oculto mira operador de Vorcaro e executivos do Banco Genial

Terceira fase da operação investiga remessas de US$ 12,3 milhões e suposta lavagem ligada à compra da Terrana.

Operador de Vorcaro em Dark Horse e diretores do banco Genial são alvos da nova fase da Carbono Oculto
Foto: Divulgação Entre/Divulgação Banco Master

A terceira fase da Operação Carbono Oculto tem entre os alvos Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro e apontado como operador de Daniel Vorcaro, além do diretor do Banco Genial Humberto Arthur Tupinambá Neto e dos irmãos dele, André e Bruno Tupinambá. A ação foi deflagrada nesta quinta-feira (24) pelo GAECO do Ministério Público de São Paulo, em parceria com a Receita Federal.

Freixo Júnior confirmou, em acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República, ter feito sete remessas ao fundo Havengate, nos Estados Unidos. Os pagamentos somaram US$ 12,3 milhões em 2025 e, conforme o relato do empresário, foram realizados a pedido de Vorcaro. O fundo financiou o filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Investigação sobre a Terrana

Batizada de Crédito Oculto, a operação cumpre mandados de busca e apreensão em sete estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Santa Catarina e Espírito Santo. As ordens foram autorizadas pela 2ª Vara Criminal de Catanduva. Também participam da ação a Procuradoria-Geral do Estado, a Secretaria Estadual da Fazenda de São Paulo e as polícias Civil e Militar.

O foco da investigação é um suposto esquema de lavagem de dinheiro e organização criminosa relacionado à aquisição da Tobras Distribuidora de Combustíveis Ltda., conhecida como Terrana. O GAECO aponta Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo, como líderes da estrutura e chefes do Primeiro Comando da Capital, o PCC.

Segundo o Ministério Público, fundos e empresas teriam sido criados para viabilizar a compra da distribuidora. Entre as estruturas citadas estão os fundos Radford, Derby 44 e Los Angeles 01, além de Berna Holdings Ltda. e Branson Holdings Ltda.

Mais de R$ 120 milhões teriam circulado por empresas apontadas como contas de passagem, como Aster Petróleo, SM Serviços Empresariais, Duvale Distribuidora e Usina Itajobi. Relatórios do Coaf, documentos bancários, informações do Banco Genial, movimentações financeiras e mensagens extraídas de celulares apreendidos em fases anteriores integram a base da apuração.

Remessas para o fundo Havengate

A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal que Freixo Júnior era descrito em relatório do Coaf como “pioneiro nas Bahamas”, em referência a estruturas offshore que teria montado no país. A corporação afirmou que a existência dessas estruturas, por si só, não configura crime.

O fundo Havengate era administrado por Paulo Calixto, apontado como próximo do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). A delação de Freixo relaciona as transferências ao financiamento de Dark Horse e atribui a iniciativa a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A terceira fase também amplia a apuração sobre a atuação de profissionais do mercado financeiro na estrutura investigada. O material apreendido deverá ser analisado pelos investigadores, enquanto a posição das defesas do Banco Genial, da Entre Investimentos e da Terrana não havia sido divulgada até o fechamento do texto.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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