Porto Alegre, Domingo, 27 de setembro de 2026
Brasil

CNBB reage a proposta de Flávio Bolsonaro sobre identidade religiosa do Brasil

Senador promete decreto que declararia o país pertencente a Jesus Cristo; bispos alertam contra o uso político da religião.

O plano de Flávio Bolsonaro contra o status de Nossa Senhora Aparecida

A proposta do senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL) de publicar um decreto declarando que o “Brasil pertence ao Senhor Jesus Cristo” provocou reação da liderança católica durante a corrida presidencial de 2026. A medida é vista por setores da Igreja como uma ameaça à posição de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira oficial do país.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e lideranças regionais passaram a divulgar manifestações e vídeos sobre voto consciente. A entidade afirma não indicar partidos ou candidatos, mas o presidente da CNBB, Dom Jaime Spengler, criticou a mistura entre religião e política e disse que essa combinação historicamente não produz resultados positivos.

Bispos do Regional Norte 1, que reúne Amazonas e Roraima, também fizeram alertas aos fiéis. Nas gravações, eles condenaram a “manipulação religiosa que pede votos em nome de Deus” e afirmaram que “as igrejas não são currais eleitorais”.

Disputa pelo título de Padroeira

A preocupação católica tem como precedente uma proposta apresentada no Congresso. Em 2007, o então deputado e pastor Victorio Galli apresentou o Projeto de Lei 2623, que buscava limitar o título de Nossa Senhora Aparecida a “Padroeira dos brasileiros católicos”.

A avaliação de setores da Igreja é que o crescimento e a articulação da Frente Parlamentar Evangélica aumentaram o risco de avanço de medidas desse tipo. Nesse contexto, o decreto defendido por Flávio é interpretado como uma base jurídica e política para ampliar a presença de uma visão evangélica nas instituições e reduzir o espaço de símbolos católicos respaldados por legislação federal.

Histórico de ataques a símbolos católicos

A reação também considera episódios de hostilidade contra imagens sacras. Em 1995, o bispo Sérgio Von Helde protagonizou, na TV Record, o episódio conhecido como “chute na santa”.

Em outubro de 2023, o pastor Sérgio Fernandes, de Bastos (SP), criticou a instalação de um monumento a Nossa Senhora Aparecida na entrada do município. Ele chamou a imagem de “Satanás fantasiado de azul” e previu “maldição” para a cidade.

Autoridades policiais ainda registraram depredações de paróquias e destruição de imagens sacras em São Paulo e no Paraná. Os casos foram enquadrados como crime de ultraje a culto, previsto no Artigo 208 do Código Penal.

Para a Igreja Católica, a combinação entre esses episódios e o peso político do segmento evangélico transforma a promessa de Flávio Bolsonaro em um possível primeiro passo para enfraquecer a presença institucional e cultural do catolicismo no Brasil.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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