Porto Alegre, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Coaf aponta repasse extra de Vorcaro para filme sobre Jair Bolsonaro

Relatório identifica transferência de US$ 1,6 milhão ao fundo que administrava recursos de “Dark Horse”, nos Estados Unidos.

Coaf identifica que Vorcaro repassou R$ 8 milhões extras para produção de filme sobre Bolsonaro
Foto: Jornal Nacional/Reprodução

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou uma transferência adicional de US$ 1,6 milhão feita por Daniel Vorcaro ao fundo responsável por administrar, nos Estados Unidos, os recursos do filme “Dark Horse”.

Repasse ao fundo do filme

A informação foi divulgada pela revista “Piauí”. Conforme a reportagem, em 16 de setembro de 2025, o banqueiro Daniel Vorcaro transferiu mais de US$ 1,6 milhão ao Havengate Development Fund, fundo com sede no Texas, nos Estados Unidos. A estrutura era administrada por Paulo Calixto, advogado e amigo de Eduardo Bolsonaro, que também mora no Texas.

A TV Globo consultou o inquérito da Polícia Federal, que reúne dados do Coaf, órgão responsável pela fiscalização de transações financeiras, e confirmou o depósito. A transferência ocorreu oito dias depois de Flávio enviar uma mensagem ao banqueiro para cobrar parcelas atrasadas destinadas ao financiamento de “Dark Horse”, produção que conta a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência, já declarou que os recursos depositados no Havengate foram enviados posteriormente à produtora Go Up, responsável pelo filme. A identificação da transferência de setembro, divulgada nesta terça-feira (1º) pela revista “Piauí”, porém, entra em conflito com declaração dada por Flávio à GloboNews em 2026. Na ocasião, ele afirmou que o pagamento mais recente de Vorcaro tinha ocorrido em maio de 2025, quatro meses antes do registro feito pelo Coaf.

Com a nova transferência, o montante enviado por Vorcaro para “Dark Horse” alcançou US$ 12,3 milhões, segundo a revista, quantia próxima ao custo da produção. Em junho de 2026, a Go Up informou que as despesas somavam US$ 13,393 milhões.

Possível novo pagamento

De acordo com a “Piauí”, existem indícios de que Vorcaro tenha realizado outro pagamento. A revista menciona uma nova conversa, em 22 de outubro de 2025, entre o publicitário Thiago Miranda, que colaborou na captação de recursos para o filme, e o banqueiro. Miranda perguntou se as parcelas poderiam ser liberadas, alertando que, caso contrário, a produção seria interrompida. Vorcaro respondeu que havia liberado mais uma naquele dia. Depois, Miranda disse que avisaria os responsáveis e que Flávio também pretendia telefonar.

Em seguida, Vorcaro pediu que Miranda se desculpasse com Flávio pelos “atrasos” nas parcelas. A “Piauí” informou que não conseguiu confirmar se o depósito de outubro foi realizado. No mês seguinte, Vorcaro foi preso pela primeira vez.

A Polícia Federal apura se todo o dinheiro foi realmente destinado à produção de “Dark Horse”. Flávio Bolsonaro foi questionado várias vezes sobre documentos relativos aos depósitos e às despesas do filme, mas os registros não foram divulgados.

Nesta terça-feira (1º), o candidato do PL à Presidência voltou a afirmar que uma perícia contratada pela produtora não encontrou irregularidades nos pagamentos: “Não tem absolutamente nada de errado em um patrocínio privado para um filme privado sobre o presidente Bolsonaro. Não houve nenhuma contrapartida por parte de qualquer autoridade pública, onde eu me incluo. Então, essas questões técnicas, desculpa, têm que perguntar para a produtora, eu não tenho condição de falar”.

A defesa de Thiago Miranda não se manifestou.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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