Porto Alegre, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Investigações associam aliados de Flávio Bolsonaro a redes criminosas no Rio

Casos citam milícias, contravenção, Comando Vermelho, lavagem de dinheiro e suspeitas de obstrução de investigações.

Histórico de Flávio Bolsonaro é marcado por várias acusações de ligações com o crime organizado

A trajetória política de Flávio Bolsonaro inclui homenagens e vínculos funcionais com pessoas associadas a investigações sobre o crime organizado no Rio de Janeiro. Quando era deputado estadual, ele homenageou Adriano da Nóbrega e empregou em seu gabinete a mãe e a então esposa do ex-policial, apontado pelo Ministério Público como integrante da milícia de Rio das Pedras e do grupo de extermínio Escritório do Crime. Adriano morreu em 2020 durante uma operação policial na Bahia.

Nos últimos anos, outros nomes próximos ao grupo político de Flávio apareceram em apurações sobre milícias, contravenção e esquemas ligados ao Comando Vermelho. Em 2022, a Polícia Federal apreendeu documentos atribuídos ao bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho. As planilhas registravam valores associados a políticos e partidos e citavam Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar, Hélio Lopes, Alexandre Ramagem e Gutemberg Fonseca, entre 61 pessoas mencionadas em mais de quatro mil páginas de inquérito.

Operações e suspeitas

Os documentos foram encontrados em novembro de 2022, durante a Operação Smoke Free, que investigava o comércio ilegal de cigarros no Rio de Janeiro. O material voltou a ser analisado em 2026, na Operação Unha e Carne, voltada à infiltração do crime organizado na política fluminense e a esquemas de lavagem de dinheiro. Em uma das fases, a PF apontou uma organização suspeita de lavar recursos por meio de uma rede de postos de combustíveis, com participação de agentes públicos e movimentações superiores a R$ 7,6 bilhões, conforme relatório do Coaf.

A Operação Zargun, deflagrada em setembro de 2025 pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, investigou a presença de integrantes ligados ao Comando Vermelho na administração pública fluminense. A apuração também envolveu tráfico internacional de armas e drogas, contrabando, corrupção e lavagem de dinheiro.

TH Joias tornou-se réu na Justiça Federal, junto com outros acusados, por suspeitas relacionadas a corrupção, tráfico de drogas e contrabando. O MPF afirmou que a organização tinha presença na Alerj e em órgãos do governo estadual. Rodrigo Bacellar também foi denunciado pela PGR ao STF, em agosto, com TH Joias, por suspeita de obstrução das investigações. A acusação afirma que informações sigilosas da Operação Zargun foram repassadas antecipadamente.

Gutemberg Fonseca, ex-secretário estadual de Defesa do Consumidor indicado por Flávio, aparece em mensagens obtidas pela PF. Nelas, Gabriel Dias de Oliveira, o Índio do Lixão, apontado como integrante do Comando Vermelho, fala sobre um encontro para apresentar demandas e buscar “cobertura política”.

Segurança pública no debate eleitoral

Na campanha presidencial, Flávio defende classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Especialistas avaliam a proposta como uma “cortina de fumaça” e demonstram preocupação com possíveis efeitos sobre a soberania nacional.

Na abertura da Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira (22), Lula disse que propôs a Donald Trump uma atuação conjunta contra o crime organizado, mas afirmou que não aceitará intervenção no Brasil.

Entre as medidas do governo estão a Lei Antifacção, sancionada em março deste ano, e a PEC da Segurança Pública. A lei criou o Marco Legal do Combate ao Crime Organizado e ampliou mecanismos penais e patrimoniais contra organizações criminosas ultraviolentas, milícias e grupos paramilitares. A PEC foi aprovada pela Câmara e tramita no Senado, onde a CCJ aprovou o relatório, mas ainda há emendas destacadas pendentes de votação.

O debate também envolve a avaliação de políticas públicas com base em dados e evidências científicas, tema do trabalho de Alberto Kopittke, autor do Manual de Segurança Pública Baseada em Evidências.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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