A Polícia Federal investiga uma emenda parlamentar de R$ 199 mil enviada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), organização localizada na Taquara, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. A ONG é suspeita de integrar um esquema de desvio de verbas públicas atribuído aos irmãos Chiquinho e Domingos Brazão.
A transferência foi feita em 29 de novembro de 2023, pouco mais de um mês depois de Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, procurar o gabinete do senador. Policial militar da reserva, ele trabalhava como assessor de Domingos Brazão no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) e foi condenado por organização criminosa pelo assassinato de Marielle Franco.
Mensagens analisadas pela PF mostram uma troca entre Peixe e uma assessora de Flávio Bolsonaro em 24 de outubro de 2023. A quebra do sigilo telefônico do policial indicou que o esquema de captação de recursos públicos por meio de ONGs movimentou pelo menos R$ 268 milhões entre 2020 e 2024, com emendas de vários parlamentares.
Relações políticas e novos pedidos
Fundado em 2008, o Ifop recebeu, em 2023, o título de utilidade pública da Câmara Municipal do Rio, concedido pelo então vereador Waldir Brazão (União). Em agosto de 2024, a entidade também recebeu R$ 1,5 milhão em emenda destinada por Chiquinho Brazão, que ainda era deputado federal antes de perder o mandato.
Em 6 de novembro de 2024, Peixe voltou a pedir à assessora de Flávio mais recursos para que “o projeto não termine”. A PF não identificou novos repasses.
Flávio Bolsonaro afirmou que a emenda tinha como objetivo apoiar um projeto esportivo para crianças vulneráveis e declarou que “não é papel do parlamentar auditar como as emendas são utilizadas por terceiros”.
A direção do Ifop negou ligação formal ou informal com Peixe e com a família Brazão. A entidade disse que aplicou os recursos em aulas de futebol, prestou contas ao Ministério do Esporte e devolveu saldos excedentes.




