ALEMANHA — Cerca de 175 mil trabalhadores participaram nesta segunda-feira (21) de manifestações contra cortes de empregos e possíveis fechamentos de fábricas do setor automotivo alemão. Os protestos ocorreram em aproximadamente 280 atos organizados em diferentes regiões do país.
A mobilização reuniu funcionários de Volkswagen, Mercedes-Benz, BMW, Audi, Porsche e empresas fornecedoras. A IG Metall informou que os participantes defenderam a manutenção dos postos de trabalho, das unidades produtivas e dos investimentos futuros.
A pressão aumentou após a Volkswagen ampliar seu plano de reestruturação, em meio à piora financeira, à concorrência chinesa e aos custos elevados na indústria europeia. Em 18 de setembro, a empresa reduziu a previsão de margem operacional para até 1%, contra uma faixa anterior de 4% a 5,5% neste ano fiscal.
A companhia atribuiu a revisão ao ambiente difícil, principalmente na China, aos custos de reestruturação e a uma baixa contábil bilionária ligada à Porsche AG. Na sexta-feira, a Volkswagen também projetou margem operacional de até 1% em 2026, citando dificuldades no mercado chinês e despesas adicionais com a reestruturação global.
Fábricas no centro da disputa
No início de setembro, a diretoria aprovou um plano que previa o encerramento gradual da produção nas unidades de Emden, Zwickau, Hannover e Neckarsulm. Juntas, as quatro fábricas têm cerca de 44 mil trabalhadores. O Conselho de Supervisão, porém, não confirmou os fechamentos como decisão final da empresa.
A reestruturação pode elevar para 100 mil o número de cortes acordados, enquanto as unidades continuam sem uma definição de produção para a próxima década.
A IG Metall cobra a preservação dos empregos e dos investimentos. O sindicato também pede medidas do governo para reduzir o preço da energia e fortalecer a indústria alemã, além da manutenção da jornada semanal de 35 horas. A entidade critica estratégias de redução de custos que não ampliem os investimentos produtivos no país.



