Escolher um lugar afastado em um ônibus, uma sala de espera ou uma praça não permite, por si só, concluir que alguém seja tímido, rejeite o convívio ou tenha algum transtorno. A decisão pode estar ligada à busca por privacidade, concentração, conforto ou controle do espaço.
Pesquisas sobre solidão voluntária indicam que períodos breves sem interação podem contribuir para a regulação emocional. Thuy-vy Nguyen, Richard Ryan e Edward Deci avaliaram o tema em quatro estudos. Depois de 15 minutos a sós, os participantes apresentaram redução de emoções de alta ativação, tanto positivas quanto negativas. Os que escolheram permanecer sozinhos também relataram mais relaxamento e menos estresse.
Uma revisão feita por Nguyen e Micaela Rodriguez apontou que esses momentos podem favorecer calma, descanso e regulação emocional. Os efeitos, porém, variam conforme a duração da experiência, a motivação para ficar sozinho e os pensamentos presentes durante o período.
O contexto também importa
A psicóloga Kira Birditt acompanhou 313 adultos com 65 anos ou mais em outro estudo. Entre pessoas que mantinham relações mais conflituosas, houve menos emoções negativas nos períodos sem contato social. O resultado sugere que o afastamento pode cumprir uma função adaptativa em determinadas situações.
Para Frank T. McAndrew, professor emérito do Knox College, a escolha de ocupar um espaço distante também pode estar relacionada à sensação de segurança e ao controle sobre o ambiente. Assim, ficar longe dos demais pode representar uma pausa após muita interação, sem indicar necessariamente uma característica fixa da pessoa.
A expressão recarregar a energia é informal e não corresponde a um diagnóstico psicológico. A mesma atitude pode estar associada a barulho, cansaço, preferência pelo assento ou ansiedade. Por isso, somente a própria pessoa pode esclarecer a razão da escolha.
Quando o afastamento causa sofrimento ou interfere nas relações e nas atividades do dia a dia, a orientação é buscar uma avaliação profissional.



