A chegada aos 60 ou 70 anos não elimina a capacidade de aprender habilidades, idiomas ou retomar os estudos. Para Rubén Calviño, professor espanhol de Educação Primária e especialista em aprendizagem e psicologia aplicada à educação, a principal barreira pode surgir antes mesmo da primeira tentativa: acreditar que ficou tarde demais.
Em entrevista ao jornal espanhol La Vanguardia, Calviño afirmou que adultos mais velhos continuam capazes de aprender, embora algumas tarefas possam exigir mais esforço com o avanço da idade. O ritmo e a forma de aprendizado podem mudar, mas isso não impede a aquisição de novos conhecimentos.
A crença que atrapalha
De acordo com o professor, quando a pessoa acredita que a idade impede o aprendizado, tende a praticar menos, evitar desafios e desistir mais cedo diante das dificuldades. Esse comportamento pode formar um ciclo: resultados abaixo do esperado reforçam a ideia inicial de que já não é possível aprender.
Para reduzir esse efeito, Calviño recomenda começar aos poucos e relacionar os novos conteúdos ao conhecimento acumulado. Ele também indica uma prática espaçada e ativa, que vá além da releitura de materiais.
Uma forma de estudar, por exemplo, é explicar com as próprias palavras o que foi compreendido, aplicar o conteúdo ou tentar recuperá-lo sem consultar o material. Essas estratégias aumentam a participação da pessoa no processo de aprendizagem.
O que dizem as pesquisas
Pesquisas indicam que o cérebro mantém plasticidade durante o envelhecimento. Uma revisão publicada na revista científica Ageing Research Reviews, da Elsevier, em dezembro de 2024, mostrou que idosos preservam a capacidade de melhorar habilidades motoras com treinamento, apesar das mudanças associadas à idade.
Assim, o envelhecimento pode exigir adaptações na maneira de estudar e no ritmo da prática, mas não representa o fim da possibilidade de aprender.



