Porto Alegre, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Vorcaro repassou mais US$ 1,6 milhão para filme após cobrança de Flávio Bolsonaro

Novo pagamento ocorreu em setembro de 2025, dias depois de o senador cobrar parcelas atrasadas da produção de Dark Horse.

Vorcaro fez mais um repasse de US$ 1,6 milhão para o filme Dark Horse após cobranças de Flávio Bolsonaro
Foto: Adriano Machado/Reuters e Reprodução

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro transferiu US$ 1,6 milhão para o filme Dark Horse em setembro de 2025, poucos dias depois de o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), atualmente candidato à Presidência, cobrar parcelas que estavam em atraso.

A nova transferência foi divulgada nesta terça-feira (1º) pela revista “piauí”. A informação foi confirmada pelo g1.

O pagamento se soma a outros seis repasses — dois de US$ 2 milhões e quatro de US$ 1,6 milhão — feitos até maio de 2025. Essas operações já tinham sido noticiadas em maio deste ano pelo site The Intercept Brasil e, juntas, somavam R$ 61 milhões.

“Com esse novo pagamento, que até agora era desconhecido, o total enviado por Vorcaro para a cinebiografia de Bolsonaro passou de 10,6 para 12,3 milhões de dólares — o que, na cotação da época, equivalia a mais de 65 milhões de reais”, afirma a revista “piauí”.

A informação consta em um dos inquéritos da Polícia Federal (PF) que investigam o caso. O novo repasse foi localizado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Flávio afirmava que o último pagamento de Vorcaro tinha ocorrido em maio de 2025. Essa versão foi contrariada agora pela PF. Em entrevista à GloboNews, quando o caso veio a público, o senador havia dito que o último pagamento havia sido feito naquele mês.

As investigações apontam que os recursos destinados ao filme foram enviados por meio da Entre Investimentos e Participações, empresa pertencente a um aliado do ex-banqueiro. Depois, a Entre transferia o dinheiro ao fundo Havengate, nos Estados Unidos, sob controle de um advogado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro. O fundo faria o repasse à produtora Go Up.

Em áudio enviado a Vorcaro, Flávio afirmou que preferia falar para que o ex-banqueiro pudesse ouvir com calma. Disse também saber que ele enfrentava um momento muito difícil e que, embora Daniel tivesse autorizado a cobrança, sentia-se constrangido em fazer os pedidos.

Segundo a “piauí”, a transferência de setembro ocorreu oito dias depois de Flávio cobrar as parcelas atrasadas. Pelo acordo inicial, os valores poderiam chegar a R$ 134 milhões, conforme o Intercept.

Valor pode ser maior

Ainda conforme a “piauí”, a quantia enviada por Vorcaro para Dark Horse pode superar o valor já identificado. A revista obteve um trecho inédito de uma conversa entre o ex-banqueiro e o publicitário Thiago Miranda, que participou da captação de recursos para o longa.

Em uma mensagem enviada a Vorcaro em 22 de outubro de 2025, Miranda perguntou se seria possível liberar as parcelas do filme.

Vorcaro respondeu: “Sim. Liberei mais uma hoje”.

Na sequência, Miranda informou que avisaria os responsáveis e acrescentou que Flávio havia dito que ligaria para o ex-banqueiro.

A PF afirma que o informativo financeiro do Coaf não registra outros repasses. Mesmo assim, isso não elimina a possibilidade de a transferência ter sido realizada em 22 de outubro e ainda não ter sido comunicada ao órgão de fiscalização.

“Se esse outro pagamento de 1,6 milhão de dólares foi efetivamente realizado como afirmou o banqueiro, o total desembolsado por ele vai para 14 milhões de dólares, ou 72 milhões de reais”, afirma a “piauí”.

Na chegada ao Senado nesta terça-feira (1º), Flávio foi perguntado por jornalistas sobre o novo repasse revelado pela piauí. O senador respondeu que o tema deveria ser esclarecido pela produtora. Segundo ele, não tinha como fornecer as informações porque não cuidava desse assunto e não poderia aprofundá-lo.

O financiamento do filme de Bolsonaro é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).

O primeiro é relatado pelo ministro André Mendonça e apura os repasses feitos por Vorcaro: as circunstâncias das transferências, a origem do dinheiro, o valor exato e o destino final dos recursos. Os investigadores suspeitam que uma parte do montante não tenha sido aplicada na produção.

O segundo inquérito, sob relatoria do ministro Flávio Dino, verifica se a produtora Go Up utilizou emendas parlamentares para financiar o filme.

Também existe uma apuração em São Paulo, conduzida pela Polícia Civil, sobre um contrato de mais de R$ 150 milhões firmado entre a Go Up e a prefeitura para instalar pontos de wi-fi em bairros da periferia. O acordo não foi executado integralmente, e há suspeitas de desvio de parte dos valores.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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