A presidente do Palmeiras, Leila Pereira, afirmou que o futebol brasileiro precisa rever o modelo associativo e criar mecanismos para punir dirigentes que causem prejuízos às instituições. A declaração foi feita durante um bate-papo no Confut, em meio à discussão sobre a responsabilidade de quem administra clubes de futebol.
Leila disse que muitos presidentes tomam decisões para permanecer no cargo e acabam sem punições proporcionais aos atos praticados durante a gestão. Na avaliação dela, o processo eleitoral pode influenciar escolhas que deveriam priorizar os interesses do clube e dos torcedores.
Administração do Palmeiras
A dirigente afirmou que conduz o Palmeiras com uma lógica profissional, apesar de o clube ser uma associação. Segundo Leila, não há interferência política no futebol e a contratação de profissionais deve seguir critérios de competência.
Ela também destacou a separação entre a administração e o conselho. O marido da presidente, que é conselheiro do Palmeiras, não teria acesso ao centro de treinamento, conforme o relato feito durante o evento.
Leila declarou que nunca usou o clube em benefício próprio e citou a concessão da Arena Barueri por 35 anos como uma iniciativa voltada a oferecer uma alternativa ao Palmeiras quando o Allianz Parque estiver indisponível. Ela afirmou que pretende deixar a presidência em dezembro de 2027 com a consciência tranquila.
SAFs e responsabilidade
Ao responder a uma pergunta de Mário Braga, conselheiro do São Paulo e presidente da Comissão de Ética do clube, Leila reconheceu que existem SAFs que não deram certo. Em contrapartida, citou a situação financeira delicada de diversos clubes associativos e afirmou que, em uma estrutura empresarial, o proprietário assume diretamente os riscos do negócio.
Para a presidente, clubes tradicionais enfrentam resistência à transformação em empresas porque conselheiros e dirigentes participam da política interna das instituições. Ela defendeu que também sejam responsabilizadas as pessoas que autorizarem a venda de um clube para compradores sem credibilidade.
Leila criticou ainda o uso de recursos e da estrutura dos clubes por presidentes associativos sem fiscalização adequada. Ela afirmou que esses dirigentes podem exercer, na prática, o papel de donos, mas sem assumir os prejuízos quando a instituição entra em dificuldades.
A dirigente disse que os estatutos dificultam a punição porque é necessário comprovar a intenção de lesar o clube. No mesmo dia, o Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou a expulsão de Julio Casares por 223 votos a cinco. O processo tratou de gestão temerária ou irregular durante o período em que ele presidiu o clube, entre janeiro de 2021 e janeiro de 2026. O valor de eventual indenização ainda será apurado.



