Porto Alegre, Domingo, 11 de outubro de 2026
Esportes

Estudo mostra como o medo muda a rotina de corredoras

Pesquisa publicada em 2026 aponta abusos, baixa taxa de denúncias e mudanças nos horários e trajetos escolhidos por mulheres.

Estudo mostra como o medo muda a rotina de corredoras

Entre as mulheres que relataram algum tipo de abuso durante a corrida, 95% não procuraram a polícia. A pesquisa publicada no British Journal of Criminology em 2026 indica que a falta de registros oficiais não representa necessariamente a ausência de episódios.

Os motivos para não denunciar incluíram considerar a situação pequena demais, acreditar que não haveria provas suficientes e temer que o caso não fosse levado a sério. Os relatos reuniram comentários sobre o corpo, buzinas, gritos, perseguições, abordagens indesejadas, bloqueio de passagem, exposição, intimidação por veículos e agressões físicas e sexuais.

Medo altera o treino

Entre as 485 participantes que responderam sobre segurança, 82% disseram se preocupar com a própria integridade enquanto corriam. Os receios mencionados incluíram perseguição, agressão física, violência sexual, sequestro e morte. Ao mesmo tempo, 68% relataram ter sofrido algum tipo de abuso durante a atividade.

A pesquisa analisou ocorrências policiais, questionários e diários de corredoras. Os resultados mostram que muitas participantes avaliavam horário, iluminação, movimento e características do percurso antes de sair. Algumas preferiam locais movimentados, evitavam trechos isolados ou deixavam de correr em determinados horários.

Depois de experiências negativas, corredoras relataram mudanças como treinar apenas durante o dia, buscar companhia, deixar de usar algumas rotas, reduzir a frequência ou interromper temporariamente a corrida ao ar livre. Também foram relatadas perdas de confiança, liberdade e prazer durante a atividade.

Segurança além da responsabilidade individual

Compartilhar a localização, manter o celular carregado, usar recursos de alerta e correr em grupos aparecem entre as estratégias adotadas por participantes. Algumas também relataram carregar alarmes pessoais, utilizar dispositivos de rastreamento, correr com cães e evitar fones de ouvido.

Essas medidas podem ajudar, mas a pesquisa defende mudanças culturais e estruturais, sem concentrar toda a responsabilidade nas mulheres. Iluminação, calçadas em boas condições, travessias sinalizadas, circulação de pessoas e acesso a estabelecimentos influenciam a experiência nos espaços públicos.

Se uma corredora perceber que está sendo seguida ou se sentir ameaçada, pode mudar o trajeto e buscar um comércio, posto de atendimento ou outro local com pessoas. Também pode pedir ajuda a alguém de confiança e acionar os serviços de emergência quando houver risco imediato.

A roupa não causa assédio, e recomendações de segurança não devem se transformar em regras sobre como mulheres devem se vestir. Buzinar, gritar, fazer comentários sexualizados, seguir alguém, bloquear a passagem ou tocar sem consentimento não são comportamentos que a corredora precise aceitar.

Eventos criam medidas específicas

Em Santos, uma corrida feminina realizada em 2025 contou com agentes de trânsito, Guarda Municipal e Polícia Militar ao longo do percurso de sete quilômetros. Em Macapá, uma campanha lançada em 2026 durante uma corrida de rua posicionou equipes da Secretaria da Mulher para prevenir o assédio e orientar participantes.

Em março de 2026, uma etapa especial do Circuito Popular de Corrida de Rua reuniu 1.200 mulheres em uma prova de cinco quilômetros no Parque Ecológico do Tietê, em São Paulo. A cidade também tem o Circuito Mais Mulher, que combina corridas com ações relacionadas à saúde, ao bem-estar e à segurança.

A pesquisa aponta que correr deveria envolver escolhas esportivas, e não cálculos constantes sobre risco. Para isso, além das precauções individuais, são necessários protocolos de denúncia, ações de prevenção, educação de meninos e homens e espaços públicos mais seguros.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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