Os números de Patrick Mahomes na vitória do Kansas City Chiefs sobre o Denver Broncos não contam sozinhos como foi a partida. No retorno do quarterback após uma grave lesão no joelho, ele lançou para dois touchdowns e correu para outro, mas completou apenas 55,6% dos passes, sofreu uma interceptação e terminou com 184 jardas aéreas. O passe completo mais longo teve 6 jardas.
A leitura mais precisa depende do cenário. A defesa do Denver Broncos tem sido uma das melhores da liga nas últimas temporadas, Mahomes ainda voltava de lesão e o ataque aéreo dos Chiefs precisava mostrar que estava à altura do quarterback. Além disso, a vantagem construída no placar já era grande no 3º quarto.
Com o jogo sob controle, Kansas City tinha motivos para priorizar as corridas e os passes curtos, mantendo a posse e fazendo o relógio avançar. O ataque terrestre funcionou, e isso reduziu a necessidade de Mahomes buscar grandes jogadas pelo ar. Portanto, a atuação não foi a melhor do quarterback, mas também não exigiu que ele tivesse uma partida de destaque para garantir o resultado.
O peso das estatísticas
O running back Kenneth Walker 3º também teve papel central. O ex-Seattle Seahawks somou 173 jardas em 23 carregadas, com um touchdown terrestre e outro aéreo.
A discussão sobre o uso dos números se estende aos novos fãs da NFL, que encontram uma grande quantidade de estatísticas desde o início da temporada e durante o Super Bowl. Um exemplo é a tentativa de ligar as atuações de Kyler Murray, do Minnesota Vikings, ao lançamento anual de Call of Duty. A análise considerou o desempenho do quarterback depois da chegada do jogo às lojas, em meados de outubro, mas não permite dizer que o videogame seja a causa dos resultados.
Paulo Vinícius Coelho já havia resumido o desafio de interpretar dados no futebol. Para ele, a modalidade tem mais fluidez, improvisações e imprevistos, o que torna as estatísticas importantes, mas menos capazes de explicar tudo sozinhas.
Assim, não é possível afirmar que Murray jogue mal na segunda metade da temporada por causa de Call of Duty. Também não há base para concluir que Mahomes não voltará a ser MVP da temporada ou a vencer um Super Bowl. Os números ajudam a contar a história, mas precisam ser colocados dentro do jogo.



