A Anvisa investiga 13 notificações de suspeita de Noiana, sigla para Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não Arterítica, entre pessoas que usaram canetas emagrecedoras. A doença é um evento adverso raro e pode provocar perda súbita e permanente da visão.
São cinco notificações relacionadas ao Ozempic, três ao Wegovy, duas ao Wegovy FlexTouch, duas ao Rybelsus e uma ao Mounjaro. Ozempic, Wegovy, Wegovy FlexTouch e Rybelsus são fabricados pela Novo Nordisk e contêm semaglutida. O Mounjaro, da Eli Lilly, tem tirzepatida como princípio ativo.
A agência ressalta que as notificações não comprovam que os medicamentos tenham causado a doença. A análise considera a qualidade e a completude das informações clínicas, a confirmação do diagnóstico, a relação temporal, as condições de saúde do paciente, o uso de outros medicamentos e possíveis causas alternativas.
Alerta e sintomas
Em junho de 2025, a Anvisa alertou para a Noiana como evento adverso muito raro associado à semaglutida e determinou a inclusão do risco nas bulas dos medicamentos que contêm esse princípio ativo. A orientação é procurar atendimento médico imediatamente em caso de perda súbita ou piora rápida da visão.
O oftalmologista Gustavo Bonfadini explica que a doença ocorre quando há redução do fluxo sanguíneo para a parte anterior do nervo óptico. As fibras nervosas deixam de receber oxigênio e nutrientes adequadamente, o que pode causar perda definitiva de toda ou parte da visão. A condição não provoca dor.
Entre os fatores de risco estão idade acima de 50 anos, hipertensão, diabetes, colesterol elevado, doenças cardiovasculares, tabagismo e, especialmente, apneia obstrutiva do sono.
Posicionamento das empresas
A Novo Nordisk afirma que acompanha os relatos de eventos adversos e que a semaglutida tem perfil de segurança respaldado por estudos clínicos e experiência de uso global. A empresa diz não haver confirmação de relação causal entre agonistas de GLP-1 e Noiana na totalidade das evidências disponíveis.
A farmacêutica cita uma análise com mais de 83 mil pacientes-ano de observação. Foram identificados três casos confirmados entre participantes que receberam semaglutida ou liraglutida e cinco entre os que receberam placebo. As taxas ficaram abaixo de 0,01 caso por 100 pacientes-ano nos dois grupos.
Para Clayton Macedo, professor da Unifesp e diretor de comunicação da SBEM, há sinal de associação, mas ainda é difícil estabelecer causa e efeito. Ele afirma que a ocorrência, por ser muito rara, não deve levar ao desaconselhamento geral das canetas para pacientes com diabetes e obesidade; a decisão deve considerar riscos e benefícios de cada tratamento.
A Eli Lilly não respondeu ao pedido de posicionamento até a publicação.



