A Anvisa identificou na internet ofertas de substâncias em pó acompanhadas de instruções para diluição e aplicação pelos próprios pacientes. Entre os produtos mencionados estão versões com tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, e o CBL-514, que ainda está em fase 2 de estudo e não tem autorização para venda.
A agência afirma que não é possível comprovar se essas substâncias realmente contêm os princípios ativos dos medicamentos para emagrecimento. Também alerta que a manipulação fora de um ambiente com controle de esterilidade pode introduzir bactérias, vírus, fungos e outros microrganismos no produto injetado.
Riscos da aplicação
De acordo com a Anvisa, a injeção de um produto contaminado pode causar infecções no local da aplicação, com dor, vermelhidão, inchaço e formação de abscessos. Em situações mais graves, a infecção pode alcançar a corrente sanguínea e provocar sepse, emergência médica que pode levar à internação, falência de órgãos e morte.
A diretora Daniela Marreco, responsável pela área de medicamentos da Anvisa, afirmou que medicamentos injetáveis precisam ser reconstituídos em ambiente que assegure a esterilidade, como um hospital ou serviço de saúde sem risco de contaminação. Segundo ela, não há esse tipo de produto registrado no Brasil.
“Não temos esse tipo de produto registrado no Brasil”, disse Daniela Marreco.
A agência também ressalta que um pó pode conter contaminantes invisíveis, mesmo quando parece limpo e está em embalagem lacrada. Para a Anvisa, a ausência de microrganismos é uma exigência para a venda de produtos estéreis.
Medicamentos registrados
As canetas emagrecedoras são agonistas de GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo corpo e relacionado ao controle da glicose e à saciedade. Elas são indicadas para o tratamento de diabetes e obesidade.
Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, Ozivy, da EMS, e Mounjaro, da Eli Lilly, estão entre as marcas citadas. Os produtos têm registro da Anvisa, que avaliou sua eficácia, segurança e processo produtivo.
A agência informa que produtos com tirzepatida podem ser vendidos por farmácias de manipulação quando houver indicação e prescrição médica. A comercialização ilegal por esses estabelecimentos é investigada pela Polícia Federal.



