Um casal com renda mensal de R$ 6 mil e aluguel de R$ 2 mil compromete 33,3% do orçamento apenas com a locação. Pela referência de 30% usada para avaliar o peso do aluguel, o gasto está acima do limite considerado um sinal de atenção.
A Fundação João Pinheiro classifica como ônus excessivo com aluguel a situação de famílias urbanas que destinam mais de 30% da renda à locação. O indicador oficial, porém, é aplicado a domicílios com renda de até três salários mínimos.
Em 2024, aproximadamente 3,59 milhões de domicílios brasileiros estavam nessa condição. Como três salários mínimos de 2026 equivalem a R$ 4.863, o casal com renda de R$ 6 mil não se enquadra automaticamente nessa classificação. Ainda assim, a proporção serve como parâmetro para analisar o orçamento.
Para esse nível de renda, 30% correspondem a R$ 1,8 mil. O aluguel de R$ 2 mil fica R$ 200 acima dessa referência, antes da inclusão de outras despesas relacionadas à residência.
Custo da moradia vai além do aluguel
Os dados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que habitação representava 36,6% do consumo das famílias brasileiras no levantamento de 2017-2018. O grupo reunia o maior percentual entre as despesas. Transporte correspondia a 18,1%, e alimentação, a 17,5%.
Esse índice de habitação não representa apenas o aluguel. A categoria inclui gastos como energia, água, condomínio, gás, internet e, eventualmente, IPTU.
Por isso, os 33,3% comprometidos somente com a locação não podem ser comparados diretamente aos 36,6% registrados pelo IBGE. Quando as demais contas da casa são incluídas, a parcela destinada à moradia pode aumentar e reduzir o espaço para alimentação, transporte, emergências e reserva financeira.
Assim, o aluguel de R$ 2 mil pode ser considerado relativamente alto para uma renda mensal de R$ 6 mil, especialmente quando o orçamento não comporta os demais custos do mês.



