Porto Alegre, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Ato na Paulista critica Moraes e evita citar Trump nos discursos

Manifestantes exibiram símbolos dos EUA e pediram intervenção nas eleições, enquanto políticos bolsonaristas concentraram ataques em Alexandre de Moraes.

7 de setembro na Paulista: Flávio tenta se descolar de Vorcaro em ato com símbolos dos EUA e manifestantes pedindo intervenção de Trump

O ato de 7 de Setembro na Avenida Paulista reuniu Flávio Bolsonaro (PL) e outras figuras da extrema direita, mas os discursos se concentraram em críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Bandeiras dos Estados Unidos e de Israel dividiram espaço com as do Brasil, enquanto parte do público pediu intervenção de Donald Trump nas eleições brasileiras.

Cartazes em inglês, um boneco gigante do presidente estadunidense, bonés com as frases “Trump 2028” e “Make America Great Again” e um manifestante vestido como Elvis Presley estavam entre os elementos da manifestação. Os principais políticos que falaram no palanque, porém, evitaram mencionar Trump ou defender pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil.

Também não foi exibida a grande bandeira norte-americana que esteve na Paulista no ato bolsonarista de 7 de Setembro de 2025. A mudança ocorreu em meio à disputa eleitoral e ao debate sobre interferência estrangeira. Pesquisa Datafolha divulgada em agosto indicou que 50% dos brasileiros viam possibilidade de interferência externa nas eleições. Para 32%, isso seria um problema; 18% não consideravam a hipótese problemática.

Ataques a Moraes

Flávio não citou Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, embora tenha tido a relação com o empresário revelada nos últimos meses. No discurso, afirmou que “Esse consórcio de Lula com Moraes vai acabar” e disse que, se eleito, indicará ministros ao STF contrários ao aborto, às drogas e ao que chamou de “ideologia de gênero nas escolas”.

O candidato comparou a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado a uma “segunda facada”, em referência ao atentado sofrido pelo pai em 2018. Também acusou seus adversários, sem apresentar provas, de planejarem interferir novamente nas eleições.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), defendeu uma reação do Senado contra Moraes e pediu a eleição de parlamentares de direita para a Casa. Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu “Fora Moraes”, afirmou que os bolsonaristas tirariam “esse sorrisinho debochado da tua cara” e disse que faria um ato em frente à casa de Davi Alcolumbre (União-AP) pelo impeachment do ministro.

Silas Malafaia chamou Moraes de “ditador da toga” e pediu seu afastamento. O pastor também levou o Banco Master ao discurso, sem mencionar as relações de aliados presentes no ato com Vorcaro. Nikolas trocou mensagens com o empresário e negou ter recebido dinheiro dele. Tarcísio recebeu R$ 2 milhões de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e maior doador individual de sua candidatura ao governo de São Paulo em 2022. O governador nega favorecimento e contato com os dois.

Mudança no discurso sobre Trump

A ausência de Trump no palanque contrastou com manifestações anteriores de Flávio. Em julho de 2025, após o presidente dos Estados Unidos anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, o senador agradeceu ao republicano nas redes sociais. No fim de agosto deste ano, já candidato à Presidência, afirmou que Eduardo Bolsonaro havia errado ao agradecer pelas tarifas.

Em julho, Flávio também pediu ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) que uma nova tarifa de 25% contra o Brasil não fosse aplicada antes das eleições. Ele argumentou que a medida poderia ser interpretada como tentativa de influenciar a disputa.

Soberania em Brasília

Em Brasília (DF), Luiz Inácio Lula da Silva colocou a soberania nacional no centro das comemorações oficiais. Em pronunciamento na véspera, disse que o Brasil não deveria “baixar a cabeça diante de potências estrangeiras” e que “não será colônia de ninguém”.

O desfile na Esplanada dos Ministérios teve como lema “Soberania: a força que une o Brasil” e reuniu cerca de 4 mil civis e militares. A cerimônia incluiu equipamentos militares, ações de agricultura familiar, vacinação, educação, proteção ambiental e defesa das riquezas naturais. Também destacou o combate à violência contra meninas e mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Entre na nossa newsletterO melhor da semana, sem spam.