O cálculo de que o Rio Grande do Sul recebe apenas R$ 19 a cada R$ 100 enviados a Brasília não considera todos os recursos federais destinados ao estado, afirma o economista Eric Gil Dantas, do Ibeps. A análise inclui transferências a governos, gastos diretos da União e benefícios pagos a cidadãos gaúchos.
Em 2025, a arrecadação federal atribuída ao RS foi de R$ 108,3 bilhões, equivalente a 3,79% do total nacional de R$ 2.855,8 bilhões. Pelo critério que compara a arrecadação somente com transferências para o governo estadual e os municípios, o retorno seria de R$ 32,4 bilhões, ou R$ 29,90 para cada R$ 100 arrecadados.
Recursos federais considerados
Além das transferências constitucionais e dos convênios, a União executou diretamente R$ 14,75 bilhões no estado. As nove universidades e institutos federais gaúchos responderam por R$ 9,23 bilhões. A UFRGS recebeu R$ 2,57 bilhões; a UFSM, R$ 1,96 bilhão; a UFPEL, R$ 1,22 bilhão; a FURG, R$ 851 milhões; o IFRS, R$ 718 milhões; o IFSul, R$ 683 milhões; a Unipampa, R$ 525 milhões; o IF Farroupilha, R$ 481 milhões; e a UFCSPA, R$ 220 milhões.
O Hospital de Clínicas de Porto Alegre teve orçamento atualizado de R$ 2,21 bilhões. Também foram contabilizados R$ 9,9 bilhões em benefícios sociais, incluindo R$ 4,87 bilhões do BPC para 251,5 mil gaúchos e R$ 4,59 bilhões do Novo Bolsa Família para 700,9 mil famílias.
Os pagamentos do INSS a aposentados e pensionistas no estado somaram R$ 68,1 bilhões em 2025. O RS representa 5,2% da população e 4,7% da arrecadação federal, mas respondeu por 8,05% dos gastos do instituto. A diferença entre o que o INSS arrecada diretamente em contribuições previdenciárias no estado e o que paga foi de R$ 25 bilhões.
Soma dos valores
Considerando transferências, execução direta da União, benefícios sociais e pagamentos do INSS, o total destinado ao RS chega a R$ 125,1 bilhões. A comparação foi feita com uma arrecadação federal estimada em R$ 135,8 bilhões no estado. Nesse cálculo, o retorno equivale a R$ 92,10 para cada R$ 100 arrecadados.
A análise também menciona o Funrigs, fundo criado para financiar a reconstrução do estado após a enchente de 2024. Dos R$ 10,08 bilhões disponibilizados até julho de 2026, R$ 9,34 bilhões vieram da postergação da dívida do RS com a União.
Outro dado citado é o BNDES. Em 2025, o banco desembolsou R$ 28 bilhões no Rio Grande do Sul. Entre 2023 e 2025, foram R$ 67 bilhões.
O estado continua sendo considerado contribuinte líquido, porque envia mais recursos a Brasília do que recebe de volta. Pela conta apresentada, porém, a diferença seria de R$ 10,7 bilhões, e não de cerca de R$ 110 bilhões.
A avaliação é assinada por Eric Gil Dantas, economista do Ibeps e doutor em Ciência Política pela UFPR.



