RIO GRANDE DO SUL — A sobretaxa de 25% dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros entrou em vigor às 01h01min desta quarta-feira (22), no horário de Brasília. A medida deve atingir cerca de 18% das exportações do Brasil para o mercado norte-americano e 48,2% dos embarques do Rio Grande do Sul destinados ao país.
No Estado, os setores afetados incluem máquinas e equipamentos, equipamentos elétricos, produtos metalúrgicos e outros bens manufaturados. O levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul (Fiergs) aponta que 85,1% das exportações gaúchas aos EUA estão sob algum tipo de taxação extra. A nova tarifa se soma às cobranças aplicadas sobre aço, alumínio e derivados, que atingem 36,9% dos embarques.
A lista de exceções divulgada pelo governo norte-americano inclui alguns itens de couro e pescado, mas somente 2% do total exportado pelo Rio Grande do Sul aos Estados Unidos foi contemplado. O país é o segundo principal destino das vendas externas do Estado.
Produtos e impacto no Brasil
A nova cobrança alcança cerca de 4 mil produtos. Entre os itens incluídos estão óleo combustível, transformadores elétricos, escavadeiras e tratores, pneus, açúcar de cana, tabaco em folhas, portas, madeira serrada, madeira compensada, calçados de couro, granito, pedras trabalhadas, matérias proteicas e chapas de alumínio.
O governo federal estima que a medida afete 18% das exportações brasileiras aos EUA, o equivalente a US$ 7,4 bilhões. A tarifa efetiva média sobre as vendas do Brasil ao país deve passar de 11,7% para 18,2%, segundo a Global Trade Alert. Com isso, o Brasil ficará atrás apenas da China, cuja tarifa média chega a 27%.
Entre os produtos preservados pela lista de exceções, que reúne cerca de 2,2 mil itens, estão produtos bovinos, café, especiarias, aeronaves civis e peças, suco de laranja, frutas, nozes, minérios, combustíveis, produtos químicos e farmacêuticos.
Negociação e novas medidas
A cobrança foi recomendada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) após investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. O órgão citou barreiras digitais, dificuldades de acesso de produtores norte-americanos ao mercado brasileiro de etanol e questões ambientais e de governança.
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou que o governo brasileiro não pretende retaliar neste momento. Empresários defendem a continuidade das negociações diplomáticas e comerciais. O governo também estuda linhas de crédito subsidiadas para empresas afetadas. Na última sexta-feira (17), o Ministério da Fazenda pediu ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) a liberação de R$ 7,25 bilhões ao Tesouro para essa finalidade.
Além da sobretaxa atual, o Brasil pode enfrentar uma cobrança de 12,5% relacionada ao uso de trabalho forçado nas cadeias de produção. O chefe do USTR, Jamieson Greer, afirmou nesta terça-feira (21) que uma decisão sobre o tema será anunciada em breve.




