Deixar a cama desarrumada não permite diagnosticar a personalidade de ninguém. O hábito pode estar relacionado à forma como a pessoa organiza a rotina, define prioridades e lida com o próprio espaço, mas também pode resultar de cansaço, falta de tempo ou divisão das tarefas domésticas.
Quem mantém esse comportamento pode ter maior tolerância à desordem visual, menos apego a rotinas rígidas e preferência por resolver tarefas consideradas mais urgentes. Também pode demonstrar flexibilidade diante de pequenas imperfeições e menor necessidade de controlar o ambiente.
Isso não significa preguiça ou irresponsabilidade. O psicólogo Sam Gosling, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, liderou um estudo que indicou que quartos e escritórios carregam sinais capazes de influenciar as impressões sobre seus ocupantes. Ainda assim, um único hábito não é suficiente para definir alguém.
Relação com criatividade
Uma pesquisa publicada na revista Psychological Science encontrou mais ideias criativas entre participantes colocados em uma sala desorganizada. Os autores indicaram que ambientes assim podem estimular o rompimento de convenções, enquanto espaços organizados favoreceram escolhas tradicionais.
O resultado, porém, avaliou o efeito momentâneo do ambiente, e não a personalidade de quem deixa a cama sem arrumar. Por isso, não comprova que pessoas desorganizadas sejam necessariamente criativas.
Quando observar o contexto
A situação merece mais atenção quando a cama desfeita aparece junto de acúmulo persistente, sofrimento ou dificuldade para cumprir atividades diárias. O psicólogo Joseph Ferrari relacionou o excesso de objetos à procrastinação e à redução do bem-estar.
Pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles também associaram a percepção de uma casa desorganizada e estressante a alterações no padrão de cortisol de mulheres. Essa conclusão não pode ser aplicada automaticamente a uma cama desarrumada.
Assim, o comportamento tende a dizer mais sobre preferências, prioridades e circunstâncias do que sobre caráter. Uma avaliação responsável depende do conjunto de comportamentos, e não apenas da aparência da cama.



