Conseguir enrolar a língua e formar um “U” é uma habilidade que algumas pessoas realizam naturalmente, enquanto outras não conseguem repetir o movimento. Apesar de aparecer em brincadeiras e comparações, o gesto não comprova maior criatividade, inteligência ou facilidade para encontrar soluções.
A capacidade depende principalmente da coordenação dos músculos, da anatomia individual e do controle voluntário dos movimentos. Experiência e prática também podem influenciar a forma como cada pessoa movimenta a língua. Por isso, não conseguir fazer o gesto não significa ter algum problema ou deficiência.
Influência genética e diferenças individuais
Durante muito tempo, difundiu-se a ideia de que enrolar a língua seria determinado por um único gene. Pesquisas com famílias e gêmeos, porém, encontraram indícios de influência genética sem sustentar que apenas um gene dominante explique a habilidade.
A combinação entre características anatômicas, controle motor, experiência e prática ajuda a explicar por que algumas pessoas conseguem realizar o movimento e outras não. Algumas descobrem a habilidade espontaneamente; outras precisam de tentativas para entender como posicionar a língua.
Criatividade não depende de um movimento
A associação entre o gesto e a criatividade aparece porque a ação envolve experimentar e controlar um movimento que nem todos conseguem reproduzir. Na psicologia, no entanto, criatividade inclui produzir ideias diferentes, encontrar possibilidades, combinar informações e mudar de estratégia diante de dificuldades.
A resolução de problemas também envolve fatores como raciocínio, memória, conhecimento adquirido, flexibilidade cognitiva e capacidade de testar estratégias. Assim, uma pessoa pode enrolar a língua e não apresentar nenhuma característica especial nessas áreas. Da mesma forma, quem não consegue fazer o movimento pode ser criativo e ter facilidade para solucionar problemas.
Não há evidência científica robusta que permita usar o formato da língua como indicador de personalidade ou capacidade intelectual. A habilidade mostra apenas que determinada pessoa consegue realizar aquele movimento. Ela continua sendo uma curiosidade sobre as diferenças entre os corpos humanos, e não um teste psicológico.



