PORTO ALEGRE — As concessões rodoviárias no Rio Grande do Sul concentraram o debate entre candidatos ao governo do Estado durante um almoço organizado pela Federação das Empresas de Logística e Transporte de Cargas do Rio Grande do Sul (Fetransul), nesta segunda-feira (10), no Hotel Deville Prime, em Porto Alegre.
Gabriel Souza (MDB) e Marcelo Maranata (PSDB) participaram do encontro. Juliana Brizola (PDT) foi representada por seu vice, Edegar Pretto (PT). Luciano Zucco (PL) não compareceu nem enviou representante. Conforme a assessoria da Fetransul, todos os candidatos foram convidados.
Debate sobre pedágios e obras
Souza defendeu o modelo de concessões rodoviárias apresentado pelo governo de Eduardo Leite (PSDB). Para o vice-governador, o Estado não tem capacidade financeira para investir nas rodovias e precisa recorrer à iniciativa privada.
O modelo dos blocos 1, 2 e 3 recebeu críticas desde o final de 2025 por causa da quantidade de pedágios e do preço das tarifas. A proposta também foi investigada no primeiro semestre de 2026 por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa.
Souza criticou Pretto e Zucco porque os partidos dos dois se posicionaram contra a modelagem durante as reuniões da CPI. Ele afirmou que a oposição teria caráter eleitoral e citou concessões promovidas por aliados dos candidatos, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Pretto negou que seja contrário às concessões e afirmou que a discordância é com o modelo adotado no Estado. Ele mencionou a concessão do Bloco 3, administrada pela Caminhos da Serra Gaúcha desde 2023, e disse que houve quatro aumentos de tarifas sem a realização das obras previstas, incluindo duplicações de estradas da região.
Mais tarde, Souza respondeu que a crítica de Pretto também atingiria o governo Lula, já que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) auxiliou o Palácio Piratini na formulação dos projetos.
Posições sobre infraestrutura
Maranata afirmou que o governo Leite privatizou a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) e a Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan), mas deixará um déficit de mais de R$ 4,8 bilhões. Para o ex-prefeito de Guaíba, o próximo governador deverá buscar recursos federais para obras de infraestrutura.
Sobre as concessões, Maranata se declarou favorável ao modelo, mas contrário ao formato atual. Ele também lembrou que, durante sua gestão como prefeito, a região perdeu praças de pedágio e Guaíba recebeu o maior investimento privado de sua história.




