As ligações de Ciro Nogueira com Daniel Vorcaro, investigadas pela Polícia Federal no caso do Banco Master, aumentam a pressão política sobre Flávio Bolsonaro e Luciano Zucco. Presidente nacional do PP, o senador pelo Piauí aparece como um aliado central de nomes do PL e do PP, partidos que sustentam as candidaturas dos dois políticos.
Flávio Bolsonaro é o candidato apontado como mais exposto pela associação com Ciro Nogueira. O senador passou a defender a abertura de uma CPI do Banco Master, embora a comissão não tenha avançado. A movimentação ocorreu depois que a investigação policial tornou públicas as relações entre Ciro e Vorcaro.
A ligação entre Flávio e o presidente do PP também envolve a formação da aliança entre PP e PL. Ciro participou das articulações, conduzidas em detalhes com Valdemar Costa Neto. Os dois dirigentes comandam, em seus respectivos partidos, os fundos eleitoral e partidário usados na estrutura política das legendas.
Efeito no Rio Grande do Sul
Ciro Nogueira e Valdemar Costa Neto também participaram da construção do acordo que levou o PP do Rio Grande do Sul a apoiar Luciano Zucco, do PL, na disputa pelo governo estadual. Silvana Covatti foi indicada para a vice.
A relação do PP gaúcho com Ciro é tratada com cautela. Covatti Filho, presidente do partido no estado, é apontado como amigo e aliado de confiança do senador. Com o aval de Ciro, ele assumiu o comando da Fundação Milton Campos, decisão que provocou ciúmes entre lideranças locais do PP.
A associação política não indica que Flávio Bolsonaro ou Luciano Zucco tenham participado das irregularidades atribuídas a Ciro Nogueira. O problema apontado é o desgaste provocado pela proximidade com o senador, acusado de atuar como lobista do Banco Master e de receber pagamentos e benefícios de Daniel Vorcaro. A investigação também relaciona o banqueiro a prejuízos para pessoas físicas e fundos de previdência de servidores públicos.



