Claudio Caiado, candidato à reeleição para deputado estadual pelo PSD, defendeu a reorganização do sistema prisional como medida inicial para enfrentar a crise de segurança pública no Estado do Rio de Janeiro. Entre as propostas apresentadas estão o bloqueio da comunicação entre presos e facções nas ruas, o uso de tecnologia nas unidades e a oferta de trabalho aos detentos.
“Não existe segurança pública sem o sistema prisional arrumado, sem o sistema prisional funcionando”, declarou Caiado.
O parlamentar também apresentou propostas para isentar motoristas de aplicativo do IPVA, ampliar a habitação popular, fortalecer a educação técnica, integrar dados da saúde, combater o furto de cabos e expandir o metrô. Ele ainda comentou os planos do PSD para as eleições de 2026 e a disputa pela presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Sistema prisional
Caiado afirmou que os presídios precisam voltar a cumprir funções de punição e ressocialização. Na avaliação dele, as facções ainda conseguem transmitir ordens de dentro das cadeias para criminosos em liberdade.
O candidato citou Goiás como referência pelo uso de scanners, por procedimentos de revista durante as visitas e pela manutenção de atividades de trabalho para os presos. Ele atribuiu os resultados ao governo de Ronaldo Caiado e relacionou a reorganização das unidades à melhora dos indicadores de segurança do estado.
O Governo do Estado anunciou a criação de 5.128 vagas no sistema prisional até o fim de 2028, como parte das medidas de adequação ao Plano Pena Justa. Em uma operação realizada em unidades do Rio, 700 policiais apreenderam 165 celulares. Também estão previstos scanners corporais, drones e sistemas de varredura.
Propostas para trabalhadores e moradia
O Projeto de Lei 8.321/2026, de autoria de Caiado, prevê isenção de IPVA para profissionais autônomos que tenham transporte ou entrega por aplicativo como única fonte de renda e faturamento anual de até R$ 200 mil. A proposta exige, entre outros critérios, pelo menos um ano de atuação na plataforma e uma quantidade regular de viagens.
O deputado também citou sua participação na criação do programa IPVA em Dia, ao lado de Luiz Paulo. A medida permite parcelar débitos do imposto em até 12 vezes, sem juros, com liberação do licenciamento após o pagamento da primeira parcela.
Ex-secretário municipal de Habitação, Caiado afirmou que o déficit habitacional fluminense se aproxima de 500 mil unidades. Ele defendeu a retomada da produção de moradias para famílias de menor renda e mencionou o Morar Carioca, voltado à urbanização de áreas de especial interesse social, com obras de saneamento, pavimentação, iluminação, drenagem e recuperação de espaços públicos.
O candidato também defendeu o Casa Carioca, programa destinado a pequenas reformas em imóveis sem condições adequadas de habitabilidade. Em março, 64 famílias receberam imóveis do Morar Carioca do Aço, em Santa Cruz.
Educação, saúde e cabos
Na educação, Caiado propôs a recuperação das unidades da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), a ampliação do ensino médio em tempo integral e a contratação de mais mediadores para acompanhar estudantes autistas, com TDAH e outras neurodivergências. Ele também defendeu cursos especializados para mães atípicas e apoio aos familiares responsáveis pelos cuidados diários.
Para a saúde, a proposta é criar um prontuário eletrônico único, acessível por unidades municipais, estaduais e particulares autorizadas. O sistema reuniria informações sobre alergias, tratamentos anteriores e outros dados dos pacientes, reduzindo a repetição de perguntas e exames.
No combate ao furto de fios e equipamentos urbanos, Caiado defendeu ações contra os estabelecimentos que compram e revendem os materiais. Um projeto de sua autoria permite a interdição de ferros-velhos envolvidos na receptação e prevê fechamento definitivo em caso de reincidência, após o devido processo legal.
O deputado estimou que a cadeia ilegal do furto de cabos movimente cerca de R$ 400 milhões por ano. Em setembro, uma operação fechou ferros-velhos ilegais no Sampaio e apreendeu materiais na Zona Norte.
Expansão do transporte
Na mobilidade, Caiado defendeu a construção da Linha 3, entre a capital, Niterói e São Gonçalo, além do prolongamento do metrô da Barra da Tijuca até o Recreio dos Bandeirantes. A proposta desenvolvida pela Coppe/UFRJ prevê aproximadamente 50 quilômetros e 29 estações entre Rio, Niterói, São Gonçalo e Itaboraí.
Um estudo apresentado na Câmara do Rio apontou que o corredor poderia reduzir em até 85% o tempo de determinados deslocamentos. Caiado também mencionou o uso de lagoas e canais para um sistema de transporte aquaviário integrado ao metrô, conectando Jacarepaguá, Barra da Tijuca, Recreio e Vargens.
Estratégia eleitoral
Aos 50 anos, Caiado conclui o primeiro mandato na Alerj. Ele afirmou ter sido eleito com aproximadamente 48 mil votos e destacou a passagem pela Secretaria Municipal de Habitação durante a gestão de Eduardo Paes.
O deputado declarou apoio a Paes para o Governo do Estado. Para Caiado, o ex-prefeito deve levar ao Executivo estadual o modelo de gestão aplicado na capital.
Na composição da próxima bancada, o PSD trabalha com a possibilidade de eleger entre 11 e 12 deputados estaduais e de fazer de seis a sete deputados federais pelo Rio de Janeiro. Sobre a presidência da Alerj, Caiado disse que o partido tem nomes aptos à disputa, mas defendeu que a negociação ocorra depois das urnas.
O parlamentar afirmou que pretende manter a atuação em segurança, habitação, saúde, educação, mobilidade e redução de impostos para trabalhadores caso tenha o mandato renovado.



