Porto Alegre, Sábado, 26 de setembro de 2026
Brasil

Contrato do Banco Master previa até R$ 427 milhões em honorários por precatórios

Minuta encontrada pela PF previa pagamento de 5% sobre ações avaliadas em R$ 8,5 bilhões a escritório ligado a desembargador do TRF-1.

Contrato de Vorcaro previa até R$ 427 milhões a escritório de esposa de desembargador identificado como da ‘turma’ de Nunes Marques
Foto: Reprodução

A Polícia Federal encontrou no celular do banqueiro Daniel Vorcaro uma minuta de contrato entre o Banco Master e o escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos, de Camilla Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). O acordo previa até R$ 427 milhões em honorários caso o escritório tivesse sucesso em todas as ações relacionadas a precatórios, avaliadas em R$ 8,5 bilhões.

O documento é datado de março de 2024. A atuação jurídica estaria ligada a processos da indústria sucroalcooleira, com remuneração de 5% líquidos sobre os valores recebidos pelo banco em cada ação.

Mensagens sobre julgamentos e benefícios

Meses depois da formalização do contrato, Vorcaro enviou a Newton Ramos uma mensagem sobre um julgamento de seu interesse, marcado para dezembro. O desembargador respondeu: “lembrei” e “tudo certo”.

Em 3 de junho de 2025, Camila Ramos comemorou com Vorcaro uma decisão favorável às usinas na 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal. Ela também tentou marcar um encontro com o desembargador para “falar rapidamente”.

Mensagens encontradas no celular do banqueiro também usavam a expressão “turma do KN” para se referir a pessoas ligadas ao ministro Kassio Nunes Marques. Em 20 de fevereiro de 2025, o operador de viagens de Vorcaro informou que a “turma do KN/Newton” havia enviado seis nomes para uma lista de um camarote custeado pelo banqueiro durante o Carnaval no Rio de Janeiro.

As conversas indicam ainda que estadias de Newton Ramos e de pessoas ligadas ao grupo foram organizadas em hotéis em Salvador e no Rio de Janeiro. Em maio de 2025, uma assistente de Vorcaro encaminhou uma mensagem do desembargador pedindo uma tarifa promocional para Nunes Marques se hospedar no hotel Fasano. Vorcaro respondeu: “Pode pegar e colocar na minha conta”.

Newton também teria pedido ingressos para um show em um hotel em São Paulo e para assistir à Fórmula 1.

Precatórios e pagamentos mencionados

O Banco Master adquiriu, em 2023, direitos sobre precatórios por meio de fundos de investimento que haviam recebido os créditos de empresas atualmente investigadas na Operação Compliance Zero. A Polícia Federal apura suspeitas de que parte desses precatórios tenha sido expedida antes do fim dos processos, quando a União ainda poderia recorrer e contestar os valores.

Em 1º de outubro de 2024, Luiz Rennó, ex-diretor jurídico do Master, informou a Vorcaro que o banco havia vencido um processo relacionado à “Alcídia”, disputa sobre precatórios do setor sucroalcooleiro. Ele citou votos favoráveis de Edson Fachin, Dias Toffoli e Nunes Marques.

Na sequência, Rennó enviou o contato de Kevin Marques, filho de Nunes Marques, com a mensagem “Dominado aqui”. Em 4 de julho de 2025, questionou se um pagamento mensal de 500 mil deveria ser mantido. No mês seguinte, também encaminhou uma lista de consultorias e escritórios ligados a autoridades.

Rennó citou a empresa Consult, ligada a um sócio de Kevin Marques. A empresa usa o mesmo endereço de e-mail do Instituto de Pesquisa e Gestão Tributária (IPTF), que pertence a Kevin. Em 8 de agosto de 2025, Rennó afirmou que a consultoria estava entre os pagamentos essenciais ainda pendentes.

O escritório Queiroga, Vieira, Queiroz & Ramos declarou que nenhum dos casos em que atua para o Master tramita no Supremo Tribunal Federal ou tem vínculo com ministros da Corte. Também afirmou que, embora trabalhe para o banco há quase três anos, não recebeu pagamentos por pró-labore ou por êxito.

Nunes Marques negou ter votado a favor de Vorcaro ou do Banco Master, trocado mensagens com o banqueiro ou pedido algo a ele. O ministro afirmou ainda que estava impedido inicialmente no processo sobre a usina, mas depois entendeu que a restrição técnica não se aplicava e votou. Segundo a nota, o caso não era uma ação do Master, mas uma tese aplicável a diversas empresas.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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