Porto Alegre, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Filme sobre Bolsonaro pagou R$ 732 mil em hotel e R$ 82 mil por segurança

Documentos entregues à Polícia Federal registram ainda gastos com cabelo e mostram repasses milionários para a produção de Dark Horse.

'Dark Horse' gastou mais de R$ 800 mil em segurança, hospedagem e peruca de ator de Bolsonaro
Foto: Reprodução

A produtora de Dark Horse, filme sobre Jair Bolsonaro (PL), gastou mais de R$ 800 mil com hospedagem e segurança do ator Jim Caviezel durante as gravações na capital paulista. Os documentos foram entregues pela GoUp Entertainment à Polícia Federal, que investiga se a obra recebeu recursos do Banco Master. O ministro André Mendonça, relator do caso, retirou o sigilo dos autos na noite de sexta-feira, 11.

Caviezel, que interpreta o ex-presidente, ficou hospedado no hotel Unique com os assessores Nathon Lewis e Richard Dobrich e o segurança particular Keith Billiot. Notas fiscais somam R$ 732 mil em diárias, pagas por meio de oito transferências. Outros R$ 82 mil foram destinados à VSG Serviços, empresa contratada para fazer a escolta do ator.

As despesas relacionadas ao elenco também incluem R$ 10 mil pela peruca usada por Caviezel e R$ 3 mil em apliques de cabelo para a atriz que interpreta Michelle. Um dos comprovantes registra uma transferência de R$ 298 mil ao hotel Unique em 30 de dezembro de 2025, com a descrição “Hospedagem + gorjetas e massagens Jim”. Não foi localizada a nota fiscal correspondente. Os contratos dos atores estrangeiros não estão entre os documentos apresentados.

Recursos e investigações

A GoUp Entertainment recebeu ao menos US$ 12,3 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro para produzir o filme, valor equivalente a cerca de R$ 64 milhões. Os repasses passaram pela Entre Investimentos e foram enviados ao fundo Havengate Development Fund LP, sediado nos Estados Unidos e controlado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro.

Documentos entregues à PF indicam que os produtores projetavam arrecadação de US$ 45 milhões, ou cerca de R$ 230 milhões, no cenário mais pessimista. A previsão otimista era de R$ 358 milhões. A produtora também é investigada em dois procedimentos sobre possível uso de recursos públicos na obra.

Um deles envolve um contrato de R$ 108 milhões entre a Prefeitura de São Paulo e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), que tem Karina Gama, dona da GoUp, como representante. O outro apura o destino de emendas parlamentares destinadas à entidade e que teriam chegado à produtora.

Desde quinta-feira, 10, os dois procedimentos tramitam com o ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino, que determinou 49 mandados de busca e apreensão contra os investigados.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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