Porto Alegre, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

PF mira produtora e deputado em investigação sobre verba para filme sobre Bolsonaro

Operação Make Up apura suspeita de desvio de emendas parlamentares destinadas a entidades ligadas à produção de Dark Horse.

PF faz operação para investigar suposto desvio de emendas para filme 'Dark Horse'
Foto: Reprodução e Câmara dos Deputados

A Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União deflagraram nesta quinta-feira (10) a operação Make Up, com 49 mandados de busca e apreensão relacionados ao financiamento do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Não há mandados de prisão.

São alvos da ação a produtora Karina Gama e o deputado federal Mario Frias (PL-SP). Também são investigadas duas entidades ligadas a Karina: o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC). A empresa Go Up, responsável pela produção do filme, não está incluída nos mandados.

O caso é relatado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF). O inquérito, que tramitava em São Paulo, foi transferido para a Corte.

Suspeita de desvio de emendas

A PF apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. Segundo a investigação, agentes públicos e privados teriam direcionado valores repassados a uma organização da sociedade civil para empresas subcontratadas irregularmente, sem comprovação de que os serviços foram realizados.

A corporação afirma ter identificado movimentações de centenas de milhões de reais entre empresas ligadas ao esquema e diz que as tentativas de ocultar os desvios continuaram até julho deste ano. São investigados crimes de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes licitatórios.

Auditoria da CGU apontou suspeita de desvio de uma emenda de R$ 2 milhões indicada por Frias para entidades de Karina, com gastos não comprovados. O deputado, que atua como roteirista e produtor-executivo do filme, afirmou ao STF, em maio, que os recursos não foram destinados a qualquer produção cinematográfica.

Os citados na operação ainda não se manifestaram.

Outros repasses investigados

Há outro inquérito sobre o filme no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça. A investigação examina repasses feitos pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL), além do caminho percorrido pelo dinheiro.

Em 8 de agosto, Antonio Carlos Freixo Junior, conhecido como Mineiro, assinou acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR), homologado por Mendonça na quarta (9). Ele é dono da Entre Investimentos, empresa que fez repasses para o filme a mando de Vorcaro.

A delação registra sete transferências para o fundo Havengate, nos Estados Unidos, entre janeiro e setembro de 2025. As operações somaram US$ 12,333 milhões, equivalentes a R$ 62,8 milhões pela cotação de setembro de 2025. Um pagamento de setembro, de US$ 1,666 milhão, contrariaria a afirmação de que o último repasse havia ocorrido em maio de 2025.

A PF investiga se todo o dinheiro foi usado em Dark Horse, como afirmam Flávio Bolsonaro e a Go Up, ou se parte dos valores teve outros destinos.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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