Porto Alegre, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Entidade de tiro usou R$ 920 mil de emendas em empresas do próprio presidente

Associação recebeu R$ 1 milhão para projeto em Saltinho (SP) e destinou quase 90% do valor a duas empresas ligadas ao dirigente.

Emenda de Mario Frias bancou fraude em projeto de tiro de R$ 1 milhão
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A Associação Nacional Rifle (ANR) destinou R$ 920 mil de um projeto financiado com recursos públicos a duas empresas que têm Rafael Buscariol Zampaulo, presidente da entidade, como sócio-administrador. A associação recebeu R$ 1 milhão do Ministério do Esporte para incentivar o tiro ao prato em Saltinho (SP), com recursos indicados pelos deputados federais Mario Frias e Luiz Philippe de Orleans e Bragança, ambos do PL-SP.

Mais da metade do valor veio de uma indicação de Mario Frias ao orçamento da União em 2025. Após o repasse, a ANR pagou R$ 527 mil à Company Thzt Security LTDA e R$ 392 mil ao Clube de Tiro Desportivo Red Neck LTDA. Os gastos incluíram materiais e contratação de pessoal para o projeto.

Notas fiscais enviadas ao Ministério do Esporte registram cerca de R$ 200 mil na compra de 10 máquinas lançadoras automáticas, além de R$ 62,4 mil em óculos de proteção balística e R$ 90 mil em munições calibre 12. Uma das empresas também recebeu R$ 110 mil por 72 diárias de estande de tiros e R$ 45,4 mil pelo aluguel de dez espingardas.

Regras do convênio

O termo de fomento determina que a execução deve respeitar o princípio da impessoalidade, previsto na Constituição Federal. Ao assinar o documento, Zampaulo declarou que não contrataria, com os recursos da parceria, empresas do mesmo grupo econômico, com participação societária cruzada ou ligadas societariamente a parentes de dirigentes ou funcionários da entidade. A declaração também mencionava empresas com o mesmo endereço, telefone e CNPJ.

Luiz Philippe de Orleans e Bragança afirmou que a indicação dos recursos foi feita com base na finalidade pública e nos critérios técnicos apresentados. O deputado disse que a execução financeira, as contratações e a prestação de contas são responsabilidade da entidade executora e estão sujeitas à fiscalização dos órgãos competentes. Ele informou que cobrará esclarecimentos do Ministério do Esporte e defendeu a apuração caso seja confirmada alguma irregularidade.

O presidente da ANR e Mario Frias foram procurados, mas não responderam.

Ministério do Esporte

O Ministério do Esporte afirmou que tomou conhecimento das possíveis irregularidades por meio da imprensa. A pasta informou que uma eventual confirmação poderá levar à glosa das despesas, à devolução dos recursos, à reprovação das contas e à abertura de Tomada de Contas Especial. Também poderão ser encaminhadas representações aos órgãos de controle, ao Ministério Público e à Polícia Federal.

Na quinta-feira (10/9), Mario Frias foi alvo de mandado de busca e apreensão determinado pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, em investigação sobre a relação entre emendas parlamentares e o custeio do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro. A Operação Make Up cumpriu 49 mandados no Distrito Federal, em São Paulo, no Rio de Janeiro e no Ceará. O deputado negou irregularidades e afirmou que colaboraria com as autoridades.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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