Ciro Nogueira anunciou nesta terça-feira (12/5) que vai reapresentar a chamada Emenda Master, proposta que ele apresentou em agosto de 2024 para elevar de 250 mil reais para 1 milhão de reais a cobertura de investimentos e depósitos privados por investidor ou depositante.
A iniciativa havia sido rejeitada pelo Senado. Agora, reapareceu na Câmara como o projeto de lei nº 4395, sob o apadrinhamento do deputado Filipe Barros, do grupo Direita Paraná. No início do mês, Barros foi escolhido por Flávio Bolsonaro e Jair Bolsonaro para disputar uma vaga ao Senado pelo Partido Liberal no Paraná.
A proposta ficou associada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, apontado como controlador do Banco Master. O banco prometia rentabilidade cinco vezes acima da média do mercado, com suposta garantia do sistema bancário. Segundo a polícia, o texto da emenda teria sido elaborado dentro da instituição e entregue a Ciro Nogueira. As investigações também apuram se o senador recebeu uma “mesada” de até 500 mil reais por mês.
Efeito sobre a campanha
As revelações atingem a campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República pelo Partido Liberal. Ciro Nogueira é senador pelo Piauí, vice-presidente do União Progressista e candidato à reeleição. O bloco governa 6 estados e reúne 111 deputados e 14 senadores.
Nogueira manteve alianças com o Partido dos Trabalhadores e com a direita bolsonarista. Ele integrou as bases parlamentares de Lula e Dilma Rousseff, fez campanha para Fernando Haddad em 2018 e, naquele período, classificava Jair Bolsonaro como “fascista”. A aproximação entre os dois ocorreu em 2021, quando Bolsonaro entregou a chefia da Casa Civil ao Centrão.
Há duas semanas, Nogueira negociava uma aliança com o Partido Liberal para garantir a Flávio Bolsonaro financiamento, apoio nos estados e tempo de propaganda igual ou maior que o de Lula. As revelações sobre sua relação com o grupo Master colocaram o senador e Filipe Barros entre os aliados que a campanha terá de explicar.
Projetos sobre armas
Nesta terça-feira, uma comissão da Câmara aprovou dois projetos, nº 3.824 e 4181, apresentados por Marcos Pollon, do PL do Mato Grosso, e relatados por Paulo Bilynskyj, do PL de São Paulo.
Uma das propostas permite saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço para estimular compras de armas de fogo e munições. A outra cria condições especiais para empresas de fabricação, importação, exportação e comércio desses produtos.
O texto prevê que dívidas do setor sejam renegociadas com pagamento de 5% do total em cinco vezes, sem juros. Os 95% restantes seriam parcelados em cinco anos, também sem juros, multas, encargos ou honorários advocatícios. Os autores afirmam que as medidas buscam “proteger a sociedade”.



