Porto Alegre, Quinta-feira, 24 de setembro de 2026
Brasil

Flávio tenta ampliar imagem moderada enquanto enfrenta novas cobranças na campanha

Conversas com Daniel Vorcaro recolocaram no centro da disputa acusações antigas contra o senador, que busca herdar o eleitorado de Jair Bolsonaro.

Vorcaro, rachadinha e milícia: os fantasmas que rondam a campanha 'moderada' de Flávio Bolsonaro

A campanha de Flávio Bolsonaro para disputar a Presidência tenta apresentar o senador como uma versão mais moderada do pai, Jair Bolsonaro, mas enfrenta novas cobranças após a revelação de conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro sobre o financiamento de um filme em homenagem ao ex-presidente.

Segundo o Intercept Brasil, Vorcaro teria repassado ao menos R$ 61 milhões para a produção no ano passado. O acordo chegaria a R$ 134 milhões, e Flávio teria procurado o banqueiro para cobrar a liberação do restante dos recursos. Vorcaro está preso e negocia um acordo de delação premiada com potencial para atingir altas autoridades.

O senador nega ilegalidades. Em nota, afirmou que buscava patrocínio privado para uma produção sobre a história do próprio pai e disse não ter oferecido vantagens, intermediado negócios com o governo ou recebido dinheiro ou benefício.

A conexão com o banqueiro se soma a suspeitas antigas relacionadas ao período em que Flávio foi deputado estadual no Rio de Janeiro. Entre elas estão acusações de rachadinha, desvio de verba parlamentar, compra de imóveis com dinheiro vivo e vínculos com o miliciano Adriano da Nóbrega. Flávio nega as acusações e afirma que foi alvo de perseguição política.

Estratégia de campanha

O senador tenta se distanciar do comportamento e de posições associadas ao pai. Em vídeos nas redes sociais, afirma ser o Bolsonaro que tomou vacina e divulga conteúdos sobre Carnaval, feminicídios, creches e direitos das mulheres.

A estratégia também aparece na tentativa de conquistar eleitores que rejeitam o estilo mais radical de Jair Bolsonaro. Segundo dados do instituto Quaest citados no levantamento, entre dezembro e maio Flávio chegou a 45% contra 38% de Lula entre eleitores de 16 a 34 anos. Na faixa de renda entre 2 e 5 salários-mínimos, marcou 44%, contra 40% do atual presidente. Entre as mulheres, passou de 31% para 36%, ainda atrás de Lula, com 45%.

Para Yuri Sanches, diretor de risco político da AtlasIntel, o episódio envolvendo Vorcaro prejudica o esforço de reduzir a rejeição ligada ao sobrenome Bolsonaro e às acusações de corrupção. O PT, por sua vez, afirma que não existe um Bolsonaro moderado e associa Flávio à extrema-direita.

As críticas também partem de setores da direita. A vereadora Janaína Paschoal afirmou que o senador não seria moderado, mas fraco, ao comentar sua postura durante a rejeição da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal.

Acusações antigas

O caso da rachadinha surgiu após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras apontar movimentações milionárias na conta de Fabrício Queiroz, ex-chefe de gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Segundo denúncia do Ministério Público, 12 funcionários fantasmas receberam R$ 6,1 milhões, e ao menos R$ 2 milhões foram para a conta de Queiroz.

Flávio chegou a ser denunciado por organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro, mas o caso foi paralisado por decisões judiciais. O Ministério Público do Rio de Janeiro informou que a investigação foi encerrada após decisão do ministro Gilmar Mendes, em fevereiro de 2025.

As suspeitas sobre vínculos com milicianos incluem homenagens a Adriano da Nóbrega e a permanência da mãe e da então esposa dele no gabinete de Flávio. O senador afirma que não conhecia as acusações criminais contra o policial quando o homenageou e nega defender milícias.

Texto produzido pela Redação Radar da Arena com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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